Nova Iorque - A paisagem agrícola se transformará profundamente nos próximos meses nos Estados Unidos, com um nítido aumento das plantações de milho, para responder à crescente demanda de etanol. Os agricultores do país plantarão as maiores áreas de milho desde 1944, revelou um relatório do governo divulgado ontem. Naquele ano, ''os Estados Unidos tiveram de produzir como nunca para alimentar a Europa durante a guerra'', lembrou Christopher Hurt, economista especializado em agricultura da Universidade Purdue de Indiana (centro).
O Departamento da Agricultura norte-americano indicou ontem que o número de hectares dedicados à plantação de milho vai aumentar de 31,7 milhões em 2006/07 para 90,5 milhões este ano, uma alta de mais de 15%. A guinada para este grão, uma colheita fundamental na nova iniciativa do etanol para substituir o uso do petróleo, coincide com a queda de 11% na plantação de soja e 20% na de algodão.
''O mercado tem levado o milho a preços recorde'', disse Bill Nelson, analista da AG Edwards, ressaltando que em dezembro o preço no contrato futuro chegou a US$ 4 pela primeira vez na história. Isto provocou uma mudança radical, que deixou outros cultivos, como o de algodão, de lado.
Don Roose, analista da US Commodities, disse que cerca de 3,5 milhões de sacas de milho serão utilizadas para produzir etanol este ano, 2,1 milhões mais do que em 2006.
Preços - Análise disponibilizada pela Federação da Agricultura do Paraná em sua página na internet (www.faep.com.br) sobre a previsão de safra de grãos norte-americana e o comportamento dos preços das commodities destaca que o fundamento de suporte na Bolsa de Chicago, de outubro de 2006 até o momento, residia na redução da área de soja norte-americana. A redução de área significa uma diminuição de 3,3 milhões de hectares. Mas este fator ainda é considerado positivo, haja vista que os preços internacionais da soja, entre março de 2006 a março de 2007, cresceram 33% e vêm se mantendo em torno US$ 7,70/bushel, correspondente a US$ 16,98/saca, dando consistência à previsão de recuo na área de soja nos Estados Unidos.
A área estimada para o milho na safra norte-americana 2007/08 é de 36,6 milhões de hectares. Caso seja confirmada essa intenção de plantio, os Estados Unidos terão um novo recorde de área plantada com o grão. Segundo análise da Faep, o número significa um aumento de 15% sobre a safra 2006/07, quando foram plantados 31,7 milhões de hectares, com apropriação de área das culturas de soja, algodão e trigo. Este aumento de área foi superior ao previsto e deverá impactar negativamente nos preços futuros do grão.
Ontem, na Bolsa de Chicago, o pregão de chamada de abertura registrava perdas de até 20,00 cents/bushel. Já no meio-pregão, os contratos futuros para maio/07 assinalavam perdas mais significativas, cotados a US$ 3,74 cents/bushel, valor que corresponde a US$ 8,84/saca, com perda de US$ 0,48/saca em relação ao pregão da quinta-feira, quando foram cotados a US$ 9,32/saca. (Com agências)

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