Etanol está perdendo a competitividade no PR
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Gisele Mendonça com <br>Agência Estado<br> Reportagem Local 
Na média de preços do Brasil, a gasolina tornou-se mais competitiva que o etanol. Dados da Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes à semana terminada em 8 de janeiro, mostram que o abastecimento a álcool está compensando somente em Goiás, Mato Grosso, São Paulo e Tocantins. No Paraná, assim como no Ceará, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, é indiferente a utilização de um ou outro combustível no tanque, segundo a ANP.
O preço médio do etanol no Brasil ficou em R$ 1,848 na semana. Em relação à média do preço da gasolina no País, que foi de R$ 2,603 por litro, o preço do etanol seria competitivo até R$ 1,8221 por litro. A vantagem do etanol é calculada considerando que o poder calorífico do motor a álcool é de 70% do poder nos motores à gasolina.
Em Londrina, segundo números divulgados no site da ANP referentes à semana passada, o preço do álcool corresponde, em média, a 67% do valor da gasolina. Em Curitiba, essa relação é de 69%; e em Maringá, de 71%.
Levando em conta a média de valores dos combustíveis na lista de cidades pesquisadas, a ANP conclui que no Estado, no geral, tanto faz utilizar álcool ou gasolina. Em Londrina, onde a diferença ainda não ultrapassa os 70%, uma parcela dos proprietários de carros flex já está migrando para a gasolina. ''De dezembro para cá a nossa venda de gasolina cresceu 15% ao mesmo tempo em que a saída de etanol caiu 15%'', constata Durval Garcia Júnior, dono de posto na cidade e vice-presidente do Sindicombustíveis para Londrina e região.
Na avaliação dele, somente observar se o preço do etanol custa até 70% do valor da gasolina não é suficiente para o consumidor fazer economia. ''Isso é relativo e depende de cada carro. O certo seria cada proprietário (de carro flex) fazer o seu próprio cálculo depois de experimentar abastecer com etanol e com gasolina. Às vezes, as pessoas pensam que estão economizando, mas não estão'', alerta.
Vanderlei Vicente, também dono de posto em Londrina, diz que ainda não percebeu grande volume de consumidores trocando o álcool pela gasolina. ''Tem alguns (clientes) já substituindo o combustível nos carros flex, mas ainda não é uma quantidade significativa'', afirma. ''Tem carro que faz praticamente a mesma média no álcool e na gasolina. Nesse caso compensa utilizar o álcool''.
Álcool ou gasolina?
O mecânico Dorival Marçal, proprietário de oficina em Londrina, afirma que do total de clientes de sua empresa que possuem carros flex, 90% ainda utilizam álcool. Na opinião dele, mesmo que o preço do álcool deixe de ser competitivo em relação à gasolina, a opção pelo etanol é recomendada em carros flex por dois motivos: polui menos e não carboniza o motor. ''Levando em conta a parte interna do veículo, a manutenção no caso do álcool é melhor. A gasolina comum que temos hoje no Brasil não é pura, e isso contribui para a carbozinação do motor''.
Seja no álcool ou na gasolina, Marçal observa que os carros flex em geral consomem mais combustível na comparação com os veículos convencionais. Para os proprietários de veículos flex que sempre usaram etanol e desejam migrar para a gasolina, o mecânico recomenda que não o façam com o tanque vazio. ''O carro pode levar um tanque ou um tanque e meio para fazer o auto-ajuste. Se o tanque estiver no meio para receber o novo combustível, esse processo tende a ser mais rápido, além de ajudar a evitar problemas'', indica.


