Após um longo período sendo comercializado na casa dos R$ 2, o etanol teve uma queda acentuada em Londrina e já voltou a ser competitivo em relação à gasolina em alguns postos da cidade. Numa pesquisa realizada ontem em diversos estabelecimentos da região Central, a FOLHA constatou postos (com bandeira de grandes distribuidoras) vendendo o produto em média a R$ 1,84, com preço mínimo de R$ 1,75 e máximo de R$ 1,99. O decréscimo no valor chega a 16%, o equivalente a R$ 0,30, em certos casos. No levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) da semana passada em 44 postos do Município, o valor médio foi de R$ 1,96: o sexto melhor preço entre as 32 cidades pesquisadas no Estado. Vale lembrar que abastece com álcool é vantajoso se o litro do produto custar até 70% do valor do litro da gasolina.
O valor da produção também caiu. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o etanol hidratado estava sendo comercializado na usina na última semana a R$ 1,07, sem o cálculo do frete e, claro, dos impostos. O número é 10,8% menor do que no início de janeiro, quando estava na casa de R$ 1,20. ''Com a proximidade da nova safra, os preços tendem a se normalizar. O aumento da oferta pressiona os preços, que vão reduzindo aos poucos'', explicou Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar).
Apesar do início da safra ainda estar um pouco distante - oficialmente agendado para o dia 1º de abril - o representante da Alcopar salientou que algumas usinas já começam a produção no final de fevereiro e início de março. Outro fator, de acordo com Dias, é que existe um estoque de 5 bilhões de litros nas mãos dos produtores da região Centro-Sul neste período de entressafra. ''É um momento também de 'desovar' este estoque até a chegada da nova safra, que ainda não temos expectativa de como será aqui no Paraná. No final deste mês, já conseguiremos fazer uma avaliação sobre estes números''.
Durval Garcia Junior, vice-presidente regional do Sindicombustíveis, disse que a diminuição dos valores na usina não justifica totalmente os preços do mercado londrinense. Junior comentou que as distribuidoras estão jogando os preços para baixo devido a uma ''guerra de mercado''. ''Na usina, houve uma queda por volta de R$ 0,10, enquanto aqui na cidade saímos de R$ 2,09 para R$ 1,79. Como está difícil de concorrer com certos estabelecimentos, isso acaba acontecendo, pois as distribuidoras estão perdendo muito volume.''
Entretanto, ele relatou que isto não deve permanecer por um período maior do que trinta dias. Júnior comentou que estes valores não cobrem os custos dos empresários do ramo. ''Este preço que está sendo praticado em Londrina é irreal, que não deve perdurar, inclusive para a gasolina. Mesmo assim, a comercialização da gasolina ainda está bem superior ao etanol. No meu caso, estou vendendo apenas 30% de etanol do que vendia'', completou.
Vendas
De fato, os frentistas que conversaram com a FOLHA confirmam que as vendas da gasolina - mesmo com a queda substancial do preço do etanol - ainda estão bem maiores. ''Boa parte começa a abastecer com etanol quando a diferença entre os preços é de pelo menos R$ 1'', comentou um deles. O comerciante Nil Menezes estava abastecendo seu carro com etanol. ''Mesmo com a queda, ainda não estou sentindo tanta diferença em comparativo com a gasolina'', avaliou.

Imagem ilustrativa da imagem Etanol é competitivo em alguns postos de Londrina
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