O auge da safra de cana-de-açúcar deve reduzir o preço do etanol em até R$ 0,15 centavos nas usinas nos próximos dez dias. Depois de uma redução de R$ 0,05 na última semana, a expectativa na Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar) é que o valor chegue à mínima de R$ 1,10 por litro, mas que não caia com a mesma rapidez para o consumidor devido aos intermediários. Ainda assim, deve elevar a competitividade do álcool hidratado em relação à gasolina e dar um respiro à Petrobras, que sofre por absorver a defasagem do preço do combustível no mercado internacional e não repassá-lo às bombas.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) fechados anteontem, o preço do etanol está mais atrativo em relação à gasolina apenas nos postos de combustíveis de Paraná, Goiás, Mato Grosso e São Paulo. Para valer a pena abastecer com álcool hidratado, é preciso que custe até 70% do valor da gasolina. No Estado, a relação hoje é de em 67,22%.
O problema é que o presidente da Alcopar, Miguel Rubens Tranin, não acredita que a redução de preços chegue tão rapidamente ao consumidor. "A velocidade na queda de preços na usina não é a mesma do que nos postos. Se sobe, é automático, mas, se desce, não."
Porém, o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) do Paraná, Dinho Sprenger, diz que o aumento da disputa por mercado deve ajudar a baixar o preço nas bombas desta vez. "As distribuidoras vão comprar mais barato e devem repassar isso, porque a competitividade está grande e não será possível segurar."
Para Tranin, a tendência é que o preço do etanol fique mais estável nos meses seguintes. Mesmo com o término da safra, o período de chuvas dos últimos meses fez com que a previsão de safra aumentasse 5% no Paraná, além das 40 milhões de toneladas esperadas. Assim, não será possível moer toda a cana, que sobrará no campo e levará à antecipação da próxima colheita. "Tivemos um tempo perdido neste ano muito grande e esses 5% vão sobrar para o próximo ano."

Inflação
Com a variação do dólar, que foi de US$ 2,13 no início do mês para US$ 2,23 no fechamento de ontem, aumentou a pressão sobre a Petrobras. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central prevê a necessidade de um reajuste de no mínimo 5% para a gasolina neste ano, mas a defasagem ainda seria maior. Por isso, uma queda nos preços do etanol e o consequente aumento do consumo seriam bem-vindos porque teriam reflexo na redução da inflação. O governo federal tem lutado para manter a taxa dentro do teto da meta, que é de 6,5%, mas o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho em 6,69%.
Sprenger, entretanto, critica a falta de uma política eficaz do governo para os combustíveis. Ele reclama que a estratégia de fazer com que a Petrobras absorva custos da gasolina e do diesel faz com que a empresa estatal fique sem condições de investir em refinaria, o que só eleva a necessidade de importações. Por outro lado, os produtores de cana e as usinas de álcool também seguram investimentos, porque têm de ficar muitas vezes no prejuízo para manter a competitividade à gasolina subsidiada. "E, neste momento, a hora seria totalmente imprópria para uma medida correta, que geraria alta de preços do etanol e da gasolina, e mais inflação."

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