São Paulo - O consumo de etanol combustível deve seguir em ascensão no próximo ano, apesar da expectativa de queda nas vendas de automóveis, de acordo com especialistas do setor sucroalcooleiro. Mesmo em ritmo inferior aos dos últimos anos, a frota de carros bicombustíveis continuará crescendo, o que vai impulsionar a demanda por etanol combustível, explica o consultor Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria, que prevê uma queda de 21% nas vendas de carros leves 2009. ''Mesmo assim, no período, a frota de carros bicombustíveis deverá registrar uma expansão de 25%, passando dos atuais 6,5 milhões de veículos em 2008 para 8,15 milhões ao final de 2009.''
Para Nastari, estes novos carros bicombustíveis que entrarão no mercado no próximo ano aumentarão o consumo de etanol em 2,1 bilhões de litros. ''Este aumento será menor que o registrado em 2008, quando registramos um aumento na demanda por etanol da ordem de 3,5 bilhões de litros'', disse.
Para a safra atual, a demanda de etanol combustível estimada para o mercado interno é de 20,6 bilhões de litros. ''Este consumo poderá atingir 22,7 bilhões na safra 2009/10'', disse Nastari. A expansão do consumo de etanol em 2009 será praticamente impulsionada pelo aumento da demanda do hidratado.
Segundo Nastari, o consumo de hidratado deverá subir 14%, de 14,15 bilhões para 16,15 bilhões em 2009. Já o consumo de anidro deverá permanecer estável, passando de 6,45 bilhões de litros para 6,55 bilhões de litros no período.
Amaryllis Romano, analista do setor sucroalcooleiro e bioenergia da Tendências Consultoria, estima que o consumo de etanol deve crescer cerca de 12% no próximo ano, amparado pela manutenção da margem de competitividade do etanol em relação a gasolina. ''Na média de 2008, o preço do etanol no Estado de São Paulo, a maior região consumidora de combustível do Brasil, foi 59,3% do preço da gasolina, o que deixou o etanol bastante competitivo'', explica.
Para 2009, a expectativa da Tendências é de que o preço do etanol deve se manter competitivo, em torno de 60% do preço médio da gasolina, praticamente estável em relação ao ano anterior. ''Os preços competitivos devem fazer com que a frota flex continue aumentando e que o consumo de etanol pelos donos dos carros bicombustíveis se mantenha no mesmo patamar que os anos anteriores'', estima.
Para Felipe Vicchiato, gerente de relações com investidores do Grupo São Martinho, as vendas de carros flex devem recuar 12% em 2009, para 2 milhões de unidades ante 2,3 milhões de unidades em 2008. Os números da São Martinho apontam para uma recuperação das vendas de flex já em 2010, quando mais 2,3 milhões de unidades deverão chegar às ruas e a frota total ultrapassar os 10 milhões de carros flex.
A competitividade do etanol deve-se se manter mesmo se a Petrobras reajustar os preços da gasolina em função da queda dos preços internacionais do petróleo. Nastari, da Datagro, não acredita em uma redução nos preços da gasolina. ''A Petrobras precisa recuperar sua receita e não tem uma tradição de oscilar seus preços de combustíveis'', disse.
Fábio Silveira, da RC Consultores, também não vê qualquer perspectiva de reversão da tendência de aumento de consumo de hidratado no próximo ano, mesmo se houver uma queda nos preços da gasolina no posto. ''O preço do etanol segue barato e muito abaixo da linha de equilíbrio com a gasolina'', disse. O preço do etanol é competitivo em relação à gasolina até a proporção de 70% do valor do preço da gasolina.

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