O consumidor londrinense que abasteceu seu veículo ontem com etanol ficou surpreso com os preços comercializados, principalmente em postos localizados no centro da cidade. Num levantamento realizado pela FOLHA em diversos estabelecimentos, o aumento chegou a 7,14% na bomba, atingindo a casa dos R$ 2,10. Números da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em pesquisa feita entre os dias 13 e 19 deste mês, apontavam uma média de preço de R$ 1,96, mas já chegando a picos de R$ 2,09. Já o valor do comércio feito pelas distribuidoras saltou de R$ 1,80 para R$ 1,87 o litro em alguns casos.
De acordo com Durval Garcia Junior, vice-presidente do Sindicombustíveis da Região Norte, as distribuidoras já estão repassando estes valores há algum tempo para os empresários. Ele diz que, no seu caso, está pagando por volta de R$ 1,86 no litro de etanol e que o valor na bomba só não está mais elevado devido aos ''ilícitos praticados no mercado''. ''Os valores praticados pelas distribuidoras vêm subindo semana a semana e a tendência é que continuem assim em janeiro'', estima ele.
Garcia Junior comenta uma queda no consumo do produto de pelo menos 60% nos últimos meses, mas ressalta que o etanol comercializado no município é um dos mais baratos do Paraná (veja quadro). ''O consumidor que tem carro flex não pensa duas vezes e abastece com gasolina. Apenas quem possui carros mais antigos é que está consumindo o produto'', explica.
Se o valor aumenta nas distribuidoras e, consequentemente, na bomba, nas usinas o preço não está oscilando tanto. Os números do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostram que o etanol hidratado estava saindo da indústria na semana passada a R$ 1,28 o litro, sem computar os impostos. No início do mês, o preço era de R$ 1,27. ''A tendência agora é que os valores na indústria estabilizem, talvez subam ou desçam alguns centavos, nada mais do que isso'', estima Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação de Produtores de Bionergia do Estado do Paraná (Alcopar).
Segundo Dias, não deve faltar o produto na entressafra, como ocorreu no início deste ano. Ele comenta que as usinas paranaenses já estão parando com a produção, que deve ser retomada apenas em abril. ''Estamos em melhores condições do que na safra passada e, por isso, não há justificativa do álcool subir. O Paraná deve fechar a produção do etanol anidro e o hidratado totalizando 1,4 bilhão de litros'', calcula ele. ''O País importou 1,02 bilhão de litros dos Estados Unidos. Vai sobrar produto nos estoques'', conclui.
Alguns consumidores entrevistados pela FOLHA disseram que há meses não estão abastecendo com etanol, avaliando que os preços na média de R$ 1,99 o litro já estavam exorbitantes. A professora Marli Cabulan Fantin comenta que há mais de um ano não coloca uma gota de álcool no seu carro. ''Não está compensando. Com gasolina, meu carro está fazendo 10 km com um litro, enquanto no etanol faz 7,5 km''.
Já o engenheiro Mateus Maciel Rabello salienta que agora deve trocar o álcool pela gasolina. ''Geralmente mudo quando o etanol ultrassa a casa dos R$ 2. Até chego a pesquisar preços, mas no final das contas não compensa tanto''.

Imagem ilustrativa da imagem Etanol chega a R$ 2,10 em Londrina