Des Moines, Iowa - A crescente demanda terá pouco impacto sobre os preços de alimentos nos Estados Unidos. Esta é a avaliação do economista especializado em agricultura da Universidade de Iowa, Robert Wisner. ''Houve fraco impacto sobre os preços de alimentos no varejo até o momento'', disse Wisner. Nos últimos seis meses, houve uma corrida no mercado para produzir mais milho por conta da demanda para etanol e o preço do grão mais que dobrou no período, elevando os custos de produção de alimentos que incluem milho em seu conteúdo e para a ração.
Outras culturas - Soja, algodão, trigo, arroz etc - também devem ter aumento dos preços à medida que os agricultores optam pelo plantio do milho, cujo valor passou de US$ 2,22 para US$ 4,08/bushel. Para Wisner, os preços para o consumidor terão ligeira alta nos próximos anos, ao mesmo tempo em que a indústria de etanol deve dobrar sua capacidade de produção. A elevação dos preços deve atingir refrigerantes, produtos processados como ketchup e xarope de milho, alimentos à base do cereal, óleo de soja e farinha de trigo.
Carne e laticínios também devem registrar alta por causa do gasto elevado com ração. Os preços já subiram para frango e laticínios, mas Wisner considera que ainda demora a chegar ao consumidor. Em janeiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) declarou que o aumento de US$ 1 por bushel nos preços do milho resultará em aumento de até 3% nos preços da carne suína nos próximos anos.
Pat Westhoff, economista da Universidade do Missouri-Columbia, observou que, atualmente, são usados 6 bilhões de bushels para alimentar os rebanhos por ano. Mesmo que o preço aumente em US$ 2 por bushel, o aumento de US$ 12 bilhões no setor de alimentos é pequeno se comparado ao nível de gasto dos consumidores. ''É muito dinheiro sim, mas comparado aos US$ 700 bilhões que os consumidores gastam por ano com alimentos ... estamos falando em menos de 2%'' no aumento que será passado ao consumidor final.
Entretanto, os representantes da indústria estão preocupados com o cenário no longo prazo diante do avanço da indústria de etanol, cujo consumo deve passar dos atuais 5 bilhões para 11 bilhões de galões quando as novas fábricas ficarem prontas. O presidente e chefe-executivo da Associação dos Produtores de Alimentos, Cal Dooley, considera que o aumento de preços terá efeito sobre toda a cadeia.

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