Estudo traça novo mapa do Mercosul
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Um estudo da Simonsen Associados revela o desenho do verdadeiro Mercosul ou o Mercosul de fato, como prefere definir o presidente da consultoria, Harry Simonsen Jr. Esse mercado concentrado reúne cerca de 125 milhões de habitantes e um PIB de US$ 1,1 trilhão, o que representa uma renda per capita de US$ 8,6 mil - o dobro da mexicana, e semelhante à da Coréia do Sul, um dos tigres asiáticos. De acordo com o estudo, as regiões Sul, Sudeste e parte da Centro-Oeste do Brasil dedicam-se com maior intensidade a um intercâmbio com os países do Cone Sul, principalmente com a parte central da Argentina. O comércio crescente com os Estados do Nordeste, notadamente a Bahia, tende a ampliar essa área.
Esse país imaginário chamado Mercosul de Fato vai de, ao Norte, Belo Horizonte e Assunção, no Paraguai, até, ao Sul, Neuquen e Baia Blanca na Argentina. Ele engloba o Chile e parte da Bolívia. Nessa área onde efetivamente os negócios são fechados, o produto bruto per capita de US$ 8,6 mil aproxima-se ao dos países do Primeiro Mundo que estão na parte mais baixa da escala.
Os dados da consultoria referem-se a 1996 e mostram que o Mercosul de direito que está no tratado assinado em 1991, com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, reúne uma população aproximada de 200 milhões de pessoas com PIB de US$ 1,446 trilhão, incluindo a economia informal.
O estudo observa, no entanto, que basicamente 92% da atividade econômica argentina ( US$ 268 bilhões) e 75% do PIB brasileiro (US$ 858 bilhões) estão concentrados na área traçada pelo Mercosul de fato.
O livro com o estudo da Simonsen Associados - Mercosul, o Desafio do Marketing de Integração - será lançado no mês que vem. O presidente da consultoria explica que se trata da atualização de um levantamento sobre o Mercosul feito pela empresa em 1992. Um dos pontos interessantes é o crescimento deste país imaginário também em área geográfica.
O estudo realizado pelas equipes de São Paulo e Buenos Aires faz uma avaliação dos cenários futuros das questões de livre comércio, da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), atuação do Nafta e da União Européia e analisa a situação do Mercosul nesse jogo.
Uma avaliação discute o tamanho relativo dos blocos econômicos com relação ao PIB. Dados do Banco Mundial de 1995 indicam que o Nafta (Estados Unidos, Canadá e México) tem PIB de US$ 7,6 trilhões de dólares enquanto que o PIB da União Européia (14 países) é de US$ 7,3 trilhões. Nafta e UE têm números praticamente iguais, observa Simonsen.
Segundo informa, o comércio dentro do bloco Mercosul (importação mais exportação) atinge US$ 29 bilhões, enquanto o comércio entre Mercosul e Nafta chega a US$ 38 bilhões e Mercosul e UE a US$ 40 bilhões. Esses números mostram a importância do Mercosul para o Brasil e revelam também que até 1995 a União Européia era um parceiro mais importante do que o Nafta.
O quadro também já mostra como inevitável a criação da Alca, que só entraria efetivamente em vigor a partir de 2005. Esse prazo, relativamente curto, é necessário para que as indústrias possam se ajustar e operar em condições de competir com as empresas do Nafta. Na sua opinião, nenhum dos blocos econômicos vai desaparecer com a Alca.


