Estudo sobre juros vai ser divulgado na 5ª
Agência Folha
Do Rio
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que na próxima quinta-feira o governo deverá divulgar os resultados dos estudos que estão sendo feitos pelo BC (Banco Central) para reduzir a diferença entre os juros básicos da economia e os juros cobrados aos consumidores. A informação foi dada durante almoço na Bolsa de Valores do Rio. Malan não deu nenhum detalhe sobre os estudos.
A redução dos juros na ponta do consumo, que em alguns casos passam de 100% ao ano, enquanto os juros básicos estão em 19%, vem sendo uma iniciativa das mais reclamadas pelo mercado, especialmente o comércio. Malan disse ainda que, com o resultado do IPCA (Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro, divulgado hoje pelo IBGE (0,25%), a inflação oficial deste ano deverá ficar no limite de 8% ou abaixo. De janeiro a setembro, o IPCA acumula alta de 6,01%.
O limite de 8% é a meta oficial de inflação do governo para este ano, fixada pelo BC, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Até o mês passado, Malan vinha preferindo realçar as metas de inflação para o próximo ano (6%) e para 2001 (4%), afirmando que essas metas devem ser vistas no médio e no longo prazos.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que a redução das taxas de juros na ponta do consumo tem como um dos objetivos principais aumentar a eficiência da política monetária. Fraga confirmou que o BC divulgará na próxima quinta-feira um estudo sobre os motivos da grande diferença entre as taxas de juros brasileiras na base e na ponta do consumo. A queda da inflação já aumentou a eficácia das ações de política monetária, mas o tamanho do spread entre a base e a ponta dos juros dificulta a transmissão das medidas para toda a economia.
Fraga deu ontem a sua primeira aula na cadeira de Tópicos de Regimes Monetários e Cambiais, que ministrará todas as sextas aos mestrandos de Economia da FGV-RJ, até dezembro. Ele disse ainda que considera razoável um spread (diferença entre taxas) de um dígito entre os juros básicos da economia e os juros na ponta do consumo para o financiamento de bens duráveis e imóveis. No caso de operações como crédito direto ao consumidor, empréstimo pessoal, cheque especial e cartão de crédito, o spread pode ser maior, mesmo de dois dígitos.





