Rio de Janeiro - O agroclimatologista da Empresa Brasileira de Pesquisa em Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad acaba de concluir um estudo sobre o impacto do aquecimento global na plantação de cana-de-açúcar. A pesquisa, ainda não publicada em revistas científicas, aponta poucas alterações, já que é uma planta muito resistente ao calor e à seca. A principal mudança seria em São Paulo, onde o cultivo teria passar da região oeste para o leste do Estado.
Anteriormente, Assad já havia estudado as alterações climáticas no cultivo do arroz, feijão, soja, milho e café. Agora, com a divulgação dos resultados do estudo do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), que prevê uma alteração de 1,8ºC a 5ºC até 2100, ele refez os modelos, com conclusões pessimistas.
Segundo o estudo, um aumento de 1ºC na temperatura mínima - a previsão mais favorável, de acordo com o IPCC -, traria um prejuízo de US$ 375 milhões no plantio de café. Um aumento de 5ºC provocaria o fim da produção do café em São Paulo.
Os cultivos mais atingidos com o aquecimento global são o de café e o de soja. Os Estados mais prejudicados seriam os do Nordeste e o Rio Grande do Sul. ''O grande problema é o que fazer com o Nordeste. O Sul se adapta'', disse Assad.
Quinze centros da Embrapa pelo País e sete universidades parceiras estão estudando genes tolerantes ao calor, para produzir sementes capazes de se adaptar às alterações climáticas. (AE)

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