Rio - O juros reais são uma ameaça ao ''espetáculo do crescimento'' pretendido pelo governo. A taxa de juro real de hoje - diferença entre a taxa Selic e a inflação projetada - supera o rendimento médio anual que os setores produtivos tiveram desde 1995. O juro real supera os 17% enquanto o maior retorno anual, do setor farmacêutico, foi de 14,1%. A conclusão consta de estudo feito pelo professor do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Celso Funcia Lemme.
Para economistas, os juros neste nível desestimulam o investimento produtivo. ''Mantida esta taxa não há condição para a retomada sustentada dos investimentos'', diz Lemme. ''Os juros de hoje inviabilizam qualquer espetáculo'', concorda o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida. ''A longo prazo, estes juros elevados são um desestímulo'', completa o diretor.
O levantamento do professor do Coppead leva em conta a evolução do retorno real de 22 setores produtivos sobre o patrimônio líquido, entre 1995 e 2001, com base no ranking Melhores e Maiores, da Revista Exame.
São empresas que ele qualifica de ''primeira linha''. A análise mostra que a rentabilidade média anual varia de 0,7% (caso de confecções e têxteis) até 14,1% (farmacêutica). Já a taxa real, quando concluiu o estudo, no mês passado, era de 16% - taxa Selic de 26% menos a projeção de 8% de inflação nos próximos 12 meses.
O juro real sobe a 17,8%, contudo, quando considerada a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,98% para os próximos doze meses, conforme pesquisa divulgada anteontem pelo Banco Central (BC) com instituições financeiras. ''Os executivos frequentemente, quando têm de tomar decisão de investir, tendem a comparar o retorno que teriam com a rentabilidade que poderiam ter no mercado financeiro'', explica Lemme.

mockup