Estudo mostra que informalidade cresceu
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Agência Estado 
O emprego formal, unidirecionado e pouco exigente em aperfeiçoamento está perdendo lugar para o trabalho como função informal, marginalizado há vários anos, que está cada vez mais ocupando pessoas ao lado dos setores de comércio e serviços. Este é o diagnóstico do Ministério do Trabalho sobre o novo perfil do emprego no País na era da globalização, segundo o secretário de Formação e Desenvolvimento Profissional do Ministério, Nassim Gabriel Mehedff.
Mais importante que obter o emprego, é tornar-se empregável. O trabalhador precisa se preparar para um mercado em mutação constante, habilitando-se para várias carreiras e diferentes trabalhos, às vezes simultâneo, adverte ele.
Considerando esse cenário, Nassim Mehedeff informa que o programa do governo na área de qualificação e requalificação de trabalhadores - Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador (Planfor) - para este ano, já está focado neste novo perfil. Serão R$ 307 milhões, oriundos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que permitirão a reciclagem de 3 milhões de trabalhadores em 1999. Muito pouco ainda, conforme reconhece o próprio secretário, levando em conta a necessidade apontada pelos Estados de treinar seis milhões de trabalhadores, o que demandaria R$ 850 milhões.
Apesar da escassez de recursos e de ainda faltar muito para atingir a meta traçada pelo Planfor de qualificar e requalificar 20% da População Economicamente Ativa (PEA) do País a partir do ano 2000, ou seja, cerca de 15 milhões de pessoas, levando em conta uma PEA de 74 milhões, Nassim Mehedeff diz que já houve avanços significativos. Conforme ele, desde 1995, quando o Planfor começou a funcionar, passou-se de um atendimento de 5% da PEA para 10% em 1998, o que corresponde a 7 4 milhões de trabalhadores. Foram investidos R$ 1 bilhão (repassados pelo FAT) em qualificação e requalificação de trabalhadores no período, informa.
Para enfrentar a falta de recursos e minimizar o despreparo dos trabalhadores brasileiros diante da nova realidade do mercado profissional, Mehedeff diz que a saída é ampliar as parcerias para formar redes de educação privadas. Segundo ele, o maior esforço hoje está concentrado em fazer as empresas investirem em educação básica (primeiro e segundo graus), uma exigência mínima do mercado de trabalho para que o empregado possa atender as solicitações da chamada cadeia produtiva.
Essa exigência, explica, está sendo feita não necessariamente para o trabalho formal, mas para a contratação por tarefa determinada. Tentamos, com o Planfor, ensinar a pessoa a se organizar, uma condição essencial para qualquer atividade que ela vá exercer, enfatiza.
Essa capacidade de organização pessoal, segundo Mehedff, é fundamental para que o trabalhador possa ter acesso a três componentes chave da empregabilidade: competência profissional, disposição para aprender continuamente, e capacidade de empreender. São qualidades essenciais no momento em que a cadeia produtiva cada vez mais terceiriza, quarteiriza suas atividades, observa. Na sua avaliação, o cidadão produtivo é aquele capaz de gerir uma realidade que tem como constante única a transitoriedade permanente.


