Estudo mostra que Brasil seria um dos beneficiados
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - O Brasil é um dos países latino-americanos que mais teria a ganhar com a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), se o bloco fosse estabelecido com eliminação total de tarifas de importação. Estudo preparado pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) indica que as exportações nacionais poderiam crescer 24% com a conclusão de um acordo nessas condições. O cenário, porém, parece improvável diante dos impasses das negociações.
Segundo o estudo, preparado em um momento crucial das negociações e que tem como objetivo calcular exatamente quanto cada economia ganharia com o bloco, o país da Aladi que mais se beneficiaria com a Alca seria o Peru, com aumento de vendas de 28%. No caso da Argentina, o aumento nas exportações seria de 11%, enquanto o Uruguai se beneficiaria de um crescimento de 5%.
No caso do Brasil, uma liberalização total no hesmisfério ainda proporcionaria um aumento de 15,7% nas importações do País e um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6%. Em um cenário com redução de apenas 50% das tarifas dos produtos sensíveis, o Brasil continuaria se beneficiando, mas teria um aumento menor de exportações. As vendas cresceriam 21%, contra um aumento nas importações de 13,9%. No geral, o PIB brasileiro teria um aumento de 1,4%, caso a Alca mantenha certas barreiras a produtos sensíveis.
Outra conclusão do relatório é de que, para Brasil, os benefícios não viriam de um aumento apenas nas exportações agrícolas, mas também de bens manufaturados. O setor de frutas teria um aumento nas exportações de 25,3% e de 1,5% na produção se a Alca fosse criada sem nenhuma barreira. Já no setor de veículos, o crescimento nas exportações seria de 54%, aumento que não seria afetado nem se as tarifas da Alca fossem reduzidas apenas pela metade. O mesmo ocorreria com as vendas de couro, que em um cenário de liberalização total aumentariam em 154%. Já a produção de couro no País poderia aumentar em um terço. A indústria alimentícia elevaria as exportações entre 38% e 40%.
No caso dos produtos químicos, o aumento das exportações do Brasil seria de 22% com uma liberalização total e de 20% no caso de uma Alca incompleta. No setor de carnes, as vendas aumentariam entre 36% e 31%.
O açúcar, um dos principais produtos na pauta de exportação do País, teria aumento de 55% nas vendas caso não existissem barreiras na Alca. O aumento, porém, seria de apenas 29% caso as tarifas sejam mantidas. Já a produção de açúcar no País poderia sofrer um crescimento de 11% no cenário de livre comércio, mas teria um aumento de apenas 6,3% caso o protecionismo, em especial dos Estados Unidos e da Argentina, fosse mantido.


