Estudo mostra perdas causadas pelos subsídios
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quarta-feira, 24 de abril de 2002
Agência Estado 
Brasília - A política agrícola praticada pelos países ricos, baseada na cobrança de elevadas taxas de importação e concessão de subvenções para a produção interna e para exportação, é responsável, hoje, por uma redução de 12% nos preços dos principais produtos agrícolas no mercado mundial.
Além disso, segundo projeções do Usda, ela irá reduzir o poder de compra da população mundial em US$ 56 bilhões (o equivalente a 0,2% do produto bruto global), nos próximos 15 anos, se as distorções decorrentes desse tipo de política não forem corrigidas.
Os dados foram apresentados ontem pelo economista e consultor do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura, Carlos Espinal, durante a II Reunião do Foro das Américas para Pesquisa (Foragro). A população perderá poder de compra porque os preços dos produtos agrícolas aumentarão. E, afinal de contas a ajuda ao produtor acaba sendo paga pelo consumidor, explica.
O estudo de Espinal mostra que se todas as políticas agrícolas que provocam distorções no cenário mundial fossem eliminadas, os preços dos produtos do setor aumentariam, imediatamente, em média, 2,3% nos países em desenvolvimento. Para os demais países, esse aumento seria de 11,6%. Paradoxalmente, os países que mais ganhariam seriam aqueles que hoje mais protegem a sua agricultura, como os Estados Unidos e a União Européia.
Espinal fez também uma simulação, mostrando quanto cada um dos principais produtos agrícolas poderia ganhar no preço com a extinção imediata de todas as políticas protecionistas praticadas no mercado mundial: o preço do trigo subiria 18,1%; o arroz 10,1%; outros grãos 15,2%; vegetais e frutas, 8,2% azeites e similares, 11,2%; açúcar, 16,4%; gado e subprodutos, 22,3%; e alimentos processados, 7,6%.


