Estudo mostra nova geografia econômica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de maio de 2000
Agência Estado Do Rio 
A desconcentração industrial das últimas décadas, sobretudo das regiões metropolitanas do Rio e São Paulo, não significa que o centro-sul esteja perdendo indústrias para o Nordeste. Ao contrário do que diz o sendo comum, as atividades industriais mais modernas e de maior potencial de expansão apenas se irradiaram para cidades médias, e os programas do governo que objetivam a integração e a desconcentração econômica do País tendem a reforçar o processo, advertiu ontem o pesquisador Clélio Campolina Diniz, diretor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Clélio Campolina Diniz.
O movimento de desconcentração industrial relativa das áreas metropolitanas do Rio e São Paulo, a partir da segunda metade da década de 60, numa primeira fase, beneficiou a maioria dos estados e regiões do País, mas o núcleo duro da indústria, os setores de material elétrico, eletrônico, metal-mecânica, material de transporte e química, parece estar sendo retido na macrorregião que vai do centro de Minas Gerais ao nordeste do Rio Grande do Sul, destacou ele ao apresentar seu trabalho A Nova Geografia Econômica do Brasil: Condicionantes e Implicações, logo após a exposição do secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, José Paulo Silveira, sobre o Programa de Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento, no 2º Fórum Nacional.
Após o pico da concentração, em 1970, houve uma reconcentração macro-espacial industrial, com o crescimento de uma rede de cidades de porte médio em torno dos centros principais, que os projetos dos Eixos e o Plano Plurianual correm o risco de acentuar, por alguns vícios, como o viés primário exportador e a excessiva ênfase na vinculação das regiões produtoras aos portos, frisou Diniz. Além disso, a competição entre os projetos e regiões e o próprio poder político poderão resultar na viabilização daqueles inseridos em regiões de maior potencial de crescimento, a exemplo do rodo-anel de São Paulo, reforçando a concentração.
Diniz observou que o movimento de desconcentração industrial relativa das áreas metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo, a partir da segunda metade dos anos 60, foi o fato de maior destaque da geografia econômica do País nas últimas décadas. A participação do Rio na indústria nacional caiu de 16% para 8%, entre 1970 e 1999, enquanto a de São Paulo encolheu de 44% para 21% mudanças que explicam a drástica queda no emprego formal, particularmente na indústria, destas regiões metropolitanas.
No entanto, o que o pesquisador chama de núcleo duro da indústria parece manter-se num novo polígono industrial, devido aos setores que o compõem possuírem fortes interrelações. Assim, criam redes ou teias produtivas, que reforçam a aglomeração. Além disso, estas indústrias se beneficiam dos melhores fatores locacionais da Região Centro-Sul, como infra-estrutura, mercado, mercado de trabalho, sistema acadêmico-universitário e de pesquisa e integração produtiva.
Em função desta tendência, Diniz identifica treze espaços econômicos médios com significativo potencial de expansão industrial, dos quais apenas dois, Salvador e Fortaleza, estão no Nordeste; um no Centro-Oeste (Goiânia-Anápolis), e os outros dez na Região Centro-Sul (Caixas-Gramado-Canela-Porto Alegre; litoral catarinense e Vale do Ítajaí: Curitiba; Londrina-Apucarana-Maringá; Vale do Paraíba paulista/fluminense; Campinas ampliada; São José do Rio Preto-Ribeirão Preto; Sul de Minas; Belo Horizonte e Uberaba-Uberlândia).
Apesar desta tendência, observa o professor da UFMG, um conjunto de indústrias leves, predominantemente têxtil, vestuário e calçados, vêm sendo transferidas para os estados nordestinos, atraídas por mão-de-obra barata, incentivos fiscais e algumas matérias primas. Embora não tenham força e peso para alterar o padrão regional da indústria, elas são importantes para o desenvolvimento econômico do Nordeste, sublinha Diniz.


