Indicadores econômicos e sociais mais uma vez colocam Londrina em posição inferior a outras cidades de médio porte. Embora bem posicionado no cenário nacional, o aeroporto Governador José Richa perde para o de Maringá e o de Cascavel num ranking de potencial econômico de aeroportos regionais elaborado pela Urban Systems - empresa de inteligência de mercado e soluções.
De modo geral, o Paraná está bem colocado. Entre os 20 aeroportos considerados com potencial "muito alto" para negócios e investimentos, quatro são do Estado: além dos de Maringá, Cascavel e Londrina, consta da lista o de Foz do Iguaçu. Já o aeroporto de Ponta Grossa foi considerado de médio potencial. E os de Toledo, Paranaguá, Pato Branco e Campo Mourão, de baixo potencial.
O aeroporto de Maringá é o sexto mais bem colocado no ranking nacional, com Índice de Qualidade Mercadológica (IQM) de 47,11. O de Cascavel é o sétimo, com 44,7, e o de Londrina, o oitavo, com 44,26. Segundo o relatório, a metodologia adotada no estudo, o IQM, é própria e usada pela empresa também para outros rankings.
"Existe uma política do governo federal de interiorizar o desenvolvimento econômico, tendo como âncora os aeroportos regionais. O governo acredita que o modal aéreo possa vir a ter a importância que o trem e as rodovias tiveram no passado", afirma o presidente da Urban Systems, Thomaz Assumpção. O estudo, de acordo com ele, foi realizado pela empresa devido a essa política. "Nosso trabalho foi olhar para os aeroportos, analisar os potenciais de desenvolvimento e hierarquizá-los", conta.
Assumpção diz que o objetivo é chamar a atenção do governo e das companhias aéreas para a capacidade de cada um dos aeroportos. "A aviação está muito concentrada no litoral do País e procuramos mostrar que há potencial para atuação no interior devido à economia pujante", declara.
O IQM é formado por quatro grupo de indicadores: infraestrutura, com peso 40, passageiros, com peso 30, carga, peso 20, e desenvolvimento imobiliário e receitas acessórias (peso 10). No total são 17 indicadores.
Maringá leva vantagem sobre Londrina na maioria deles. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) de Renda, por exemplo, é de 0,81 contra 0,78. Na educação, Maringá tem IDHM de 0,77, contra 0,71 de Londrina. A renda média per capita da microrregião de Maringá é bem superior: R$ 26.810 (ano) contra R$ 21.071 da de Londrina.
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 para 2011 também pesa bastante em favor de Maringá: 17,6% contra 8,8% de Londrina. Entre os pontos positivos, o relatório cita que Maringá importa por via aérea US$ 65 milhões (ano) em circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos. Londrina consta como cidade que polariza turismo no segmento de negócios.
Já, quanto aos pontos negativos, Maringá tem apenas R$ 1,7 bilhão de PIB industrial (2011). Em Londrina, ele é ainda menor, de R$ 1,6 bilhão, tendo retraído 3,4% de 2010 a 2011.
Em geral, os indicadores de Cascavel são ligeiramente mais baixos que os de Londrina. Mas o crescimento de 16,1% do PIB industrial de 2010 para 2011 colocou o aeroporto da cidade um pouco à frente do de Londrina no ranking da Urban System.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, ressalta que Maringá tem uma infraestrutura no setor aéreo melhor que a de Londrina. Ele cita a existência do porto seco e do posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na Cidade Canção. "Nós, em Londrina, estamos trancados, sem Anvisa e sem Vigiagro (Vigilância Agropecuária)", afirma.
Além disso, ele cita a questão política. "Londrina ficou prendendo ladrão de dinheiro público nos últimos 15 anos. A sociedade nem tinha como falar com líderes políticos porque os prefeitos estavam respondendo a processos de corrupção", declara.

Imagem ilustrativa da imagem Estudo mostra mais potencial para aeroportos de Maringá e Cascavel