A maioria das organizações não-governamentais (ONGs) deveria ser favorável à pesquisa com produtos geneticamente modificados (GM) e o mercado para convencionais irá diminuir drasticamente nos próximos anos, principalmente na Europa. As duas afirmações, polêmicas, são do economista inglês Graham Brookes, diretor da PG Economics, uma consultoria independente, especializada no impacto ambiental e econômico da tecnologia na agricultura.
Brookes antecipou ontem para a imprensa os resultados do estudo ''Lavouras GM: Impactos econômicos e ambientais globais - Os primeiros noves anos, de 1996 a 2004'', na abertura do IV Congresso Brasileiro de Biossegurança e IV Simpósio Latino-americano de Produtos Transgênicos, que acontece até quinta-feira, no Hotel São Rafael, em Porto Alegre, em promoção da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio). O trabalho foi realizado em conjunto com Peter Barfoot e será apresentado integramente no dia 11 de outubro, durante conferência em Londres.
''Desde 1996, a adoção de lavouras biotecnológicas tem contribuído para a redução da emissão de gases de efeito estufa na agricultura, além de ter reduzido o uso de agroquímicos'', afirmou Brookes. ''Os produtores de países que adotaram a biotecnologia no campo, incluindo o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, obtiveram rendimentos agrícolas significativos ao longo dos 10 últimos anos e, ao mesmo tempo, reduziram os impactos ambientais associados às práticas agrícolas, beneficiando assim todos os cidadãos.''
Questionado sobre a possibilidade dos transgênicos provocarem danos à saúde, Brookes disse que a biotecnologia é um dos setores mais estudados dos últimos anos e que até o momento só há vantagens. ''Apesar de não ser um cientista, eu acredito nas pesquisas e no desenvolvimento da ciência'', afirmou, acrescentando que o estudo divulgado ontem analisa os investimentos em tecnologia no campo e seus resultados econômicos e ambientais. ''O sucesso do agronegócio brasileiro é fruto dos investimentos em tecnologia na agropecuária, que promovem o aumento da produtividade e a diminuição dos custos de produção. A tecnologia hoje é essencial para que o produtor consiga competir no mercado internacional.''
Segundo Brookes, um dos mitos divulgados no Brasil é de que a União Européia aceitaria somente produtos convencionais. Ele disse que apenas 15% da soja consumida na Europa necessita do certificado de produto não geneticamente modificado. ''Este número tende a diminuir, porque os europeus não vão querer pagar mais pela soja convencional'', garantiu o economista britânico.
Ele também disse acreditar na co-existência e defendeu o princípio de que os agricultores deveriam poder cultivar livremente as culturas que quisessem, quer fossem geneticamente modificadas, convencionais ou orgânicas. O principal seria avaliar o custo/benefício para os produtores e consumidores.
O jornalista Devaldo Gilini Júnior está em Porto Alegre a convite da ANBio.

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