Rio de Janeiro O nível de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira alcançou 86,1% em outubro, maior taxa para este mês desde 1976 (89%) e a maior taxa mensal desde janeiro de 1977 (87%). Este foi um dos resultados apresentados pela Sondagem Industrial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que indicam um ''crescimento contínuo e acelerado da produção indus
trial''. Para a fundação, o elevado uso da capacidade não representa ameaça imediata: os investimentos privados em produção deverão se intensificar em 2005 e o ciclo atual de crescimento indica ser ''permanente e consistente''.
O uso da capacidade avançou este ano com o crescimento da demanda, depois de dois anos de baixos investimentos na produção. Entre 2002 e 2003, as indústrias investiram perto de 5,8% do faturamento total, bem abaixo dos 8,46% de 2001. Para 2004, a previsão é de uma taxa de 6,52%. Além disso, o professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da FGV Samuel Pessôa avalia que, depois de pagarem dívidas em dólar, como estão fazendo este ano, as indústrias, com a rentabilidade em alta, voltarão a investir no ano que vem. Com ajuste sazonal, a taxa de utilização da capacidade em outubro fica em 85,2%, a maior desde os 85,4% em abril de 1995.
Para o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, o aumento do grau de utilização é recebido pelo entusiasmo porque é sinal de que haverá investimento. ''Só no Brasil o aumento do grau de utilização é visto com paura'', disse.
Os dados da FGV mostram que os grupos de indústrias mais próximas do esgotamento da capacidade são os de bens intermediários (89%) e material de construção (85,8%). A utilização está menor para os bens de consumo (82%) e de capital (81%).

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