Moradora da Zona Norte de Londrina, quando vem ao Centro da cidade a vendedora Sueli Pieroli sente falta de uma loja de equipamentos elétricos. Ela afirma que onde mora é mais fácil encontrar esse tipo de comércio. Seu patrão, Sinézio Scudeler, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e Sincoval, acha que uma confeitaria seria benvinda nos arredores do Calçadão. Em contrapartida, o motorista José Carlos Alvarino dos Santos encontra tudo que precisa no Centro, ''mas na região Sul falta uma lotérica''. De acordo com ele, entre sua casa, que fica no Parque das Indústrias, e o estabelecimento mais próximo, na avenida Inglaterra, existem seis bairros.
Situações como essas estão sendo divulgadas pela Pesquisa de Carências 2004, encomendada pelo Sebrae de Londrina e realizada em todas as regiões da cidade. Com base em 1,2 mil entrevistas foram identificadas as deficiências no comércio, prestação de serviço, alimentação e entretenimento mais o perfil dos consumidores. ''O objetivo é orientar os indecisos e auxiliar os experientes a aprimorar suas técnicas de venda'', disse a consultora Márcia Gilbertoni.
Futuros empreendedores e comerciantes estabelecidos serão os maiores beneficiados pela pesquisa, que já está à venda no Sebrae. Gente como o ex-representante comercial Marcelo Mendes, que inaugurou ontem, sem nenhuma orientação prévia, uma loja de roupas femininas na avenida Saul Elkind (zona Norte). Ele teve como único parâmetro sua experiência de camelô na feira dominical da região. ''O salário como empregado estava diminuindo e o interesse pela mercadoria era evidente'', aponta.
A exemplo da segunda edição, divulgada em 2002 (frequência bianual), o Sebrae investigou também os hábitos dos consumidores relativos a 15 ramos mais procurados por seus clientes (supermercado, loja de roupas, calçados, pizzaria, cabeleireiro, livraria, papelaria, vídeo-locadora, farmácia, floricultura, lanchonete, padaria, loja de cosméticos, sacolão, loja de presentes e sorveteria). ''O acesso à informações como essas possibilitarão ao empresário descobrir opções de investimentos mais seguros com chance de expansão'', disse o gerente regional do Sebrae Sérgio Garcia Ozório.
Para a operadora de máquinas Judite da Cunha Vieira, que mora há 20 anos no Conjunto Semíramis (zona Norte), as maiores deficiências da região são bancos e escolas profissionalizantes. ''Uma faculdade aqui pouparia tempo e cansaço, mas acho isso muito difícil'', completou Judite. Sua opinião é dividida com a cabeleireira Loami Oliveira dos Santos, que é casada com um fabricante de sorvetes da região Norte. Ela e o marido são obrigados a recorrer ao Centro para comprar suprimentos de trabalho. ''O movimento de universitários esquentaria o comércio e melhoraria a vida para todo mundo'', justificou.
O resultado dessa pesquisa pode ser adquirida no Sebrae por R$ 25,00. Mais informações pelo telefone: (43) 3373-8000.

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