Estudo do governo prevê PIB 282% maior em 2050
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domingo, 21 de setembro de 2014
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Crescendo a uma taxa mínima de 3% e máxima de 4,5%, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai praticamente quadruplicar em 36 anos, saindo de US$ 2,31 trilhões para US$ 8,83 trilhões. O País passará de sétima para quarta economia mundial, perdendo apenas para China, Estados Unidos e Índia. O PIB per capita crescerá, no mínimo, 3,5 vezes, chegando a US$ 42,3 mil, o equivalente ao da França atualmente.
Os dados fazem parte do documento Cenário Econômico 2050, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia. Até 2020, segundo o estudo, o crescimento do País se dará pelo aumento dos investimentos, com destaque para infraestrutura e a exploração do petróleo.
Os investimentos, do governo e da iniciativa privada, passarão dos atuais 18% do PIB para 20,2% do PIB até 2020. Na década seguinte, sobem para 21%. E voltam para 20% até 2050. "Para alcançar uma taxa de crescimento do PIB em torno de 4,5% ao ano, é necessário uma taxa de investimento de cerca de 21% do PIB", justifica o documento.
No período de 2020 a 2030, o crescimento brasileiro vai manter-se sustentável, apesar da desaceleração do ritmo de crescimento dos países emergentes. Isso vai acontecer devido à "maturação dos investimentos realizados em anos anteriores" e o consequente aumento da produtividade do País. E, apesar da tendência de redução da população, os investimentos e "reformas estruturais", realizados até 2030, vão manter o ritmo de crescimento nacional até a metade do século.
O estudo prevê que, graças a uma situação fiscal "bem mais confortável", a dívida líquida do setor público cairá dos atuais 33,4% do PIB para 20,6% do PIB. O superavit primário dinheiro que o governo economiza para pagamento da dívida - poderá baixar de 2,7% para 0,2%.
O economista e professor da Universidade Federal do Parana (UFPR) Marcelo Curado avaliou o estudo a pedido da reportagem e disse que não encontrou "furos metodológicos" nele. Mas ressaltou que toda previsão a longo prazo está sujeita a uma série de hipóteses. "Em economia, é difícil prever o que vai acontecer em quatro anos, imagina em mais de 30 anos", declarou.
Ele disse que esse tipo de relatório é feito com base no conhecimento acumulado e "aponta um cenário". Mas, que novos conhecimentos, novas tecnologias, podem alterar completamente o quadro. "Além disso, há a questão climática que também costuma interferir na economia", salientou.
Apesar disso, segundo afirmou o professor, as projeções futuras são importantes para a tomada de decisões hoje. "Quando você planeja uma hidrovia, uma grande ferrovia, assim como uma hidrelétrica, você não está planejando para hoje, mas para um cenário que vai além de 30 anos", justificou.


