Estudo do FMI alerta para dívida de países emergentes
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segunda-feira, 08 de setembro de 2003
João Caminoto<br>Agência Estado 
Londres - O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve publicar um relatório na próxima quinta-feira no qual alerta que alguns países latino-americanos e asiáticos acumularam dívidas muito superiores ao que se imagina, informou ontem o jornal International Herald Tribune. O total da dívida pública dos países asiáticos subiu para cerca de 70% de seu Produto Interno Público (PIB). No auge da crise financeira asiática em 1998, essa carga era inferior a 60%. Na América Latina, a relação dívida/PIB subiu de 40% para cerca de 60%. Em contraste, a relação dívida/PIB dos países industrializados é de cerca de 40%.
Embora não utilize um tom alarmista, o FMI conclui que os níveis da dívida precisam ser reduzidos drasticamente. Para uma típica economia emergente, uma dívida pública ''sustentável'' deveria representar apenas a terça parte de seu atual nível.
O novo estudo mostra que tem ocorrido uma importante mudança nos velhos padrões de captação de empréstimos. Ao invés de se dirigir inicialmente aos credores estrangeiros, sejam eles organismos multilaterais ou grandes bancos internacionais, muitos governos estão tomando empréstimos em seus mercados domésticos. Na Ásia, por exemplo, os empréstimos externos estão praticamente estabilizados desde a crise que atingiu a região no final da década passada.
Na América Latina, os empréstimos externos têm registrado uma tendência de queda enquando o financiamento doméstico tem crescido anualmente. O FMI observa que a distinção entre os financiamentos doméstico e estrangeiro é sutil. Os credores ''domésticos'' podem ser instituições estrangeiras, e geralmente são. A dívida pode ser denominada em dólares ou euros. A diferença é que o financiamento doméstico é regido pelas leis do país captador ao invés do país da instituição credora.
Os economistas do FMI alertam que o aumento da dívida doméstica é um fator relevante pois geralmente é mais difícil para os investidores e credores estrangeiros avaliar o seu nível real. Governos podem com frequência retirar essas dívidas dos balanços realizando empréstimos por meio de corporações públicas ou empresas privadas apoiadas por garantias de empréstimos oficiais. A dívida doméstica pode também ser mais difícil de ser coletada, dependendo da legislação de cada país.
O relatório do FMI salienta que há exceções nesta tendência de crescimento da dívida doméstica. O Chile reduziu sua dívida pública para apenas 21% do PIB em 2002. Em 1990, esse percentual era de 54%.


