Estudo diz que pode faltar energia
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domingo, 21 de março de 1999
Agência Estado 
Arquivo FolhaQuestão de tempoA construção de novas usinas hidroelétricas exigiria prazo de maturação entre cinco e seis anosO Brasil terá falta de energia elétrica a partir de 2001, caso o sistema de privatização do setor de geração não receba incentivos, alertou um estudo do especialista em energia elétrica Oscar Pimentel, consultor de energia da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
Pimentel entende que, se depender de produção hidráulica não há como resolver a questão da falta de energia, por não haver mais tempo hábil, visto que este tipo de usina tem prazo de maturação de cinco a seis anos e há falta prevista a partir de 2001. Por isso, o incentivo para a produção de energia é mais do que necessário, disse.
Segundo ele, das 11 usinas térmicas previstas para funcionar até 2000, apenas duas conseguiram sair do papel até agora - a de Cuiabá, da Enron, e a de Uruguaiana, da AES. Entre os problemas que as térmicas estão enfrentando, estão os seguintes: dificuldades em conseguir financiamentos externos derivados do medo da desvalorização cambial e da turbulência que o mundo atravessa, e preço do gás natural, que, por ser importado (Bolívia e Argentina), também é fixado em dólares, impossibilitando a fixação do preço da energia a ser oferecida ao possível comprador e impedindo a realização de contratos de venda a termo.
Como consequência, não se tem garantia a ser oferecida aos bancos que tornariam viável a obtenção dos recursos necessários ao desenvolvimento dos projetos. Os produtores independentes termoelétricos argumentam ainda que as regras definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o setor ainda carecem de definições importantes, aumentando os riscos envolvidos e afugentando investidores.
O pesquisador alertou também que o Brasil tem condições de ampliar a co-geração de maneira significativa, principalmente a partir do bagaço da cana, mas, infelizmente, os governos estaduais e federal, ainda não se preocuparam seriamente em estimular tal alternativa, ou, no mínimo, retirar os obstáculos atualmente existentes para que ela possa se instalar. Com isso, perdemos todos.


