O risco de o País sofrer com a escassez de energia elétrica já estava claro em meados dos anos 90. Um estudo encomendado em 1996 pelo Ministério de Minas e Energia ao consórcio liderado pela extinta Coopers & Lybrand Consultoria revelava que a possibilidade de déficit de eletricidade no final década de 90 estava em nível acima do aceitável.
Já naquela época o equilíbrio entre oferta e demanda era questionado e classificado como muito precário. O nível dos reservatórios cada dia mais baixo apontava para problemas futuros graves. No entanto, mesmo mostrando os entraves e os riscos do setor, o relatório não foi suficiente para evitar um racionamento cinco anos mais tarde.
Além de diagnosticar as falhas do setor, o documento sugeria algumas ações para complementar o Plano de Emergência, que vinha sendo elaborado por um grupo formado pela Eletrobrás. O objetivo deste plano era reduzir o risco de déficit de energia dentro de um nível de 5% durante o período de 1996 a 1999. Isso porque, segundo o estudo, as simulações da época mostravam que o risco de escassez de eletricidade chegaria a 12% no ano de 1998, na Região Sudeste – sete pontos porcentuais acima do aceitável.
Em um dos primeiros relatórios entregues pelo consórcio ao Ministério, já se levantava a hipótese de racionamento, inclusive o prejuízo econômico que o País teria com um apagão. Por conta disso, o governo foi alertado a tomar medidas extraordinárias para reduzir o risco.
Entre as alternativas de médio prazo, estavam incluídos a administração da demanda para reduzir o consumo dos grandes consumidores durante o horário de pico, implementação do programa de conservação de energia, adoção de horário de verão e instalação de equipamentos de compensação reativa, para ajudar a reduzir as restrições e perdas de transmissão, entre outras. Boa parte dessas medidas apenas foi adotada com maior firmeza este ano, quando houve a certeza do racionamento.
A falta de investimento adequado na expansão da geração e transmissão foi apontada como principal motivo para o risco de déficit de energia. De 1990 a 1995, o volume de recursos aplicado no setor caiu de US$ 6 bilhões para US$ 4 bilhões.
A progressão da queda das reservas em termos de armazenagem máxima tornava-se preocupante. Em abril de 1994, o nível máximo das bacias era de 92%; em 1995, 87%; e em 1996, de apenas 78%. Só nesse período, os baixos níveis dos reservatórios levaram à redução da disponibilidade de capacidade estimada em 2 mil megawatt. A íntegra do estudo pode ser encontrada no site do Ministério de Minas e Energia (www.mme.gov.br) na opção Reseb.

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