O sucesso dos três anos do Plano Real foi confirmado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) por meio de um dado estatístico usado em países desenvolvidos e praticamente desconhecido no Brasil: o Índice de Desconforto Econômico (IDE). Calculado com base nas taxas de inflação e desemprego e no crescimento do PIB nacional, o IDE médio do País entre 1990 e 93 foi de 240,7 (média matemática). A partir do real, de 1994 a 97, a taxa caiu para 2,3, o que representa uma baixa de 99% no desconforto que a situação econômica causa à população.
Os três anos do real e o cálculo do IDE foram o tema deste mês da Carta do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV, publicada na revista Conjuntura Econômica. O estudo esclarece que a queda na situação aflitiva, acarretada pelo descompasso da economia, atingiu apenas a camada pobre da população. Nas classes média e alta, a relação entre o IDE dos períodos pré e pós-Real (90/93 e 94/97) ficou inalterada. ‘‘As classes média e alta se defendiam da inflação com maestria, via mecanismos elaborados de correção monetária’’, lembra Antonio Salazar Brandão, diretor do IBRE.
O IDE é uma média ponderada do inverso do PIB real (quanto maior o crescimento do PIB, menor o desconforto econômico), associado à taxa de inflação e ao índice de desemprego. Depois de constatar, pelo resultado dos cálculos, que o mal-estar está diminuindo, os técnicos do IBRE, no documeto publicado na revista, afirmam que ‘‘em vista desses fatos, causam certa estranheza as pesquisas recentes dando conta de uma perda de apoio do Plano Real entre a população’’.
O estudo confirma a previsão de inflação inferior a 7% para este ano mas, apesar de reconhecer ‘‘o estrondoso sucesso antiinflacionário’’ do Plano Real, adverte para as consequências negativas do mal-estar que a situação de desemprego e subemprego estão causando à população. O descontentamento é atribuído ao arrefecimento do ‘‘carisma’’ do Plano, três anos depois de sua criação.
‘‘Por mais que as autoridades expliquem que o Plano Real foi apenas um programa de ataque à inflação e que a aceleração do crescimento econômico e a redução do desemprego e da pobreza exige esforço muito maior, claro está que, na maioria das mentes, um fato se liga a outro’’, diz o documento.

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