CONJUNTURA Estudo da CNI aponta queda de preços Para a indústria, inflação sob controle e recuperação da economia mostram ser possível o crescimento com estabilidade Agência Estado Do Rio de Janeiro A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aposta na tendência de queda dos preços e no cumprimento das metas de inflação estabelecidas pelo governo, medidas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Informe Conjuntural de fevereiro, divulgado ontem, a CNI destacou a queda da inflação junto com a recuperação da atividade econômica nos últimos meses, avaliando que ‘‘as condições da economia permitem a convivência do crescimento com estabilidade’’. Pelos cálculos da CNI, o reajuste dos combustíveis – o governo autorizou 7% nas distribuidoras este mês – não deve ter muito impacto na inflação de março porque será compensado pela queda no preço dos alimentos. Combustíveis devem contribuir com 0,28 ponto percentual no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) e 0,13 ponto percentual na próxima taxa do IPC-Fipe. Este último índice fechou com deflação de 0,23% em fevereiro, o que reforçou a expectativa da CNI de queda dos índices de inflação. Se os preços internacionais do petróleo continuarem subindo, entretanto, o governo poderia autorizar um novo reajuste nos preços dos combustíveis, o que pressionaria a inflação. Mas para o coordenador de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o preço do barril de petróleo deve ceder e ficar na faixa entre US$ 20 e US$ 25. A CNI está otimista em relação à meta neste trimestre e no médio prazo porque as contas públicas estão tendo o comportamento esperado. ‘‘O ano eleitoral poderia ser uma ameaça, mas a população está mais consciente quanto às práticas fiscais irresponsáveis’’, explicou Castelo Branco. O Informe Conjuntural destaca o papel importante da aprovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) para o governo alcançar o superávit fiscal. Mas alerta para um pequeno risco de descumprimento da meta de inflação no segundo trimestre. Por isso a CNI concorda com a postura conservadora do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu manter os juros básicos em 19% ao ano em sua última reunião. Na reunião deste mês pode haver redução, estima a CNI, ainda que pequena. As empresas devem continuar investindo, orienta o economista, já que o crescimento não está provocando inflação. ‘‘Não se deve ter medo de reduzir a capacidade ociosa das empresas’’, diz. Castelo Branco aposta também na redução do desemprego, cujas taxas já estão menores desde o segundo semestre do ano passado, e em uma ‘‘pequena recuperação’’ do rendimento médio real dos trabalhadores. O Informe Conjuntural diz que a elevação dos juros nos Estados Unidos poderia representar uma ameaça ao Brasil, não fosse a menor percepção de risco no País. A CNI lembra que as taxas de risco dos títulos brasileiros estão em queda. Para a confederação, o aumento da taxa de juros norte-americana deve ser absorvido sem necessidade de mudança no câmbio ou alta doméstica dos juros.

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