A bolsa brasileira tem 45% das companhias consideras de baixa performance. Estudo da consultoria Alvarez&Marsal classifica 25% delas como vulneráveis e 20% como extremamente vulneráveis. Ou seja, das 389 empresas com ações comercializadas na B3, 175 têm baixa performance, sendo 97 vulneráveis e 78 extremamente vulneráveis.

Imagem ilustrativa da imagem Estudo classifica 45% das companhias da B3 como vulneráveis
| Foto: Cris Faga/Estadão Conteúdo

A Alvarez&Marsal não divulga os nomes das companhias que se encontram nessas condições. As 10 melhores estão no quadro.

“O levantamento é feito com dados públicos e históricos dessas companhias. É importante ressaltar que apenas três das vulneráveis estão no Ibovespa”, afirma Kevin Munier, diretor sênior da consultoria. Ele se refere ao principal índice da bolsa brasileira, que atualmente é composto por 68 ações de companhias listadas. Esses papeis correspondem a 80% do número de negócios e do volume financeiro da B3.

O diagnóstico da consultoria leva em conta mais de 20 itens divididos em seis grupos: retorno para o investidor em comparação aos concorrentes; valuation (atratividade com foco em uma margem de segurança); rentabilidade (margens de lucro decrescentes x custos crescentes); crescimento; alocação de capital; e risco.

Os três principais motivos que prejudicam a performance das empresas, segundo a Alvarez&Marsal, são a execução, “quando se perde o foco do dia a dia”; a alocação de capital “em investimentos e planos de crescimento mal planejados”; e a governança, “a partir de um conselho e executivos acomodados”.

De acordo com o diretor, a crise econômica foi utilizada como “desculpa” por muitos executivos para justificar o fraco desempenho das companhias. A crise teria permitido esconder “problemas estruturais profundos de planejamento”, alocação de capital, gestão e governança que, na visão dele, não serão resolvidos com a retomada econômica.

Questionado se a tendência é de aumento ou diminuição do número de empresas no mercado de capitais, Munier responde: “A gente não tem pretensão de dizer se aumenta ou não. Empresas familiares sofreram muito durante a crise e estão se reorganizando. Uma das saídas deve ser o mercado de capitais.”

Pesquisa da mesma consultoria e com a mesma metodologia feita nos Estados Unidos com 3 mil empresas listadas concluiu que apenas 20% delas estão vulneráveis. São 18% vulneráveis e 2% extremamente vulneráveis.

SEGURANÇA

Para o planejador financeiro da youp! Financial Group, João Botosso, o número de empresas que a consultoria considerou como vulnerável surpreende. Mas ele garante que, trabalhando com as ações que compõem o Ibovespa, o investidor já estará com boa margem e segurança. Outra dica é olhar para o nível de governança da companhia, disponibilizado no site da B3.

No segmento Novo Mercado, de mais alto grau de governança, há 139. “Há muitas ações nas quais se pode investir sem medo”, afirma.

De acordo com Botosso, outra boa opção é o investidor apostar nos IPOs – sigla em inglês que significa oferta pública inicial – ou seja, a primeira oferta de ações da companhia no mercado. “No ano passado, tivemos três a quatro IPOs. Neste ano, teremos uns três”, conta. “As empresas que estão fazendo IPO agora são de alto grau de governança”, complementa.

Ele conta que o prospecto das companhias sobre as ações que serão vendidas é divulgado com vários dias de antecedência para os investidores fazerem suas reservas. Atualmente estão abertos dois IPOs, o da varejista C&A e do banco BMG, ambos com oferta mínima de R$ 3 mil.

Cada ação do banco está sendo ofertada na faixa de R$ 11,60 a R$ 13,40 e a da varejista, de R$ 16,50 a R$ 20,00. A reserva nas corretoras nos dois casos tem de ser feita até o dia 23.

O último IPO foi o da joalheria Vivara. “As ações foram oferecidas na faixa de R$ 21 a R$ 25 cada. No final, saíram a R$ 24.”

A vantagem de comprar ações no IPO, segundo ele é que elas tendem a apresentar resultados melhores.

O planejador financeiro diz que o mercado de capitais brasileiro foi bastante regulamentado nos últimos anos, o que trouxe mais segurança para o investidor.

Uma maior participação de investidores na B3, na visão dele, será inevitável uma vez que o País vive recorde de juros baixos, que podem cair ainda mais – a taxa básica de juros (Selic), hoje a 5,50% ao ano, deve terminar 2019 a 4,75% ao ano. “Se quiser ter rentabilidade, o investidor não poderá ficar em renda fixa, terá de ir para ações.”

Botosso aconselha todos os investidores a contaram com apoio de uma corretora e um profissional de confiança para auxiliar nas decisões.

Embora sempre será necessário ter conta em corretora para fazer negócios com papeis, é possível comprar e vendê-los sem o ajuda de outra pessoa. Mas essa tarefa requer muito estudo do mercado para não acabar em prejuízo.

FUNDAMENTALISTA

Cliente da youp!, o administrador de empresa e consultor Fábio Pozza opera sozinho o home broker - plataforma das corretoras – de sua casa. “Eu uso a análise fundamentalista para investir”, conta. Ele se refere a uma das abordagens desenvolvida pelos especialistas para analisar o mercado.

Pozza escolheu cerca de 10 papéis de empresas que ele considera sólidas, mas não fica todo dia comprando e vendendo essas ações. “Não faço especulação, meu investimento é para longo prazo. No final do ano vou fazer uma avaliação”, ressalta o administrador de empresa, acrescentando que a renda variável ainda corresponde a pequena parte de sua carteira de investimentos.

Ele já recebeu dividendos das companhias nas quais investiu e diz que a tributação não assusta. “Até R$ 20 mil de movimentação mensal em ações não se paga imposto. Sobre o rendimento, o imposto de renda é de 15% quando se ultrapassa esse limite.”

mockup