A turbulência política da Bolívia e a falta de transparência sobre as reservas de gás natural geram dúvidas em relação ao fornecimento do combustível. A Fiep (Federação da Indústria do Estado do Paraná) fez levantamentos entre 2012 e 2013 que apontava para um limite na capacidade de transporte do gasoduto.

"Houve uma série de projetos de indústrias que não puderam ser concretizados por falta de gás", afirmou João Arthur Mohr, executivo do Conselho de Infraestrutura da Fiep. A preocupação da entidade é que a dependência do gás boliviano possa impactar no custo do combustível. "O contrato com a Bolívia vencerá em 2019 e a que preço será renovado esse contrato?", questiona.

O Plano Estratégico de Gás Natural para o Estado do Paraná prevê alternativas de suprimento. Uma das opções começa a ser estudada pela Copel, em parceria com a Shell, tendo como fonte o GNL (Gás Natural Liquefeito). A proposta é instalar uma base de regaseificação no litoral, agregado a uma usina termoelétrica e o transporte até a distribuição seria pela rede da Compagas.

Um dos maiores playeres mundial de gás natural, a multinacional terá a função de avaliar a melhor formatação do negócio. A primeira fase avaliará as potencialidades do Estado e a partir delas estruturar um plano estratégico. Esse GNL chegaria ao Paraná de navio. "Hoje, em razão de haver um fornecedor de gás, você precisa encontrar alternativas para não ficar atrelado ao preço. Enquanto não se tem a viabilidade do pré-sal, há uma série de posições no mundo que podem fornecer", ressaltou Harry Françoia Júnior, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Copel Holding.

Rússia, Argélia, Catar, Estados Unidos são alguns dos mercados produtores que poderiam abastecer o Paraná. Essa fase deve ser concluída no fim do segundo semestre de 2018. A Copel está finalizando a estruturação da parceria. Serão investidos R$ 30 milhões nos estudos.
Com posição acionária na Compagas e na usina Uega (Usina Elétrica a Gás de Araucária), a Copel mira dois mercados: a geração de energia termoelétrica e o fornecimento industrial de gás.

"A Copel sempre foi uma indutora de investimento no Estado e a questão do fornecimento industrial é importante para dar suporte ao desenvolvimento do Paraná", disse Júnior. A Uega tem capacidade de produção 400 megawatts. A intenção é construir quatro novos termoelétricas no Litoral, Norte, Araucária e Sul, aumentando em torno de três gigawatts de capacidade de geração.

O fornecimento do gás em si será um segundo estágio. "A partir dessa formatação poderemos entender melhor o mercado de gás do mundo e definir o parceiro futuro de fornecimento", afirmou o diretor. A expectativa é que o estudo possa desenhar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento do Estado. (A.M.P)

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