Um país com queda de 1,4% no PIB (Produto Interno Bruto) e 9,9% de sua população economicamente ativa desempregada. Esse é o cenário recessivo que a Andima (Associação Nacional das Instituições de Mercado Aberto) prevê para o Brasil no próximo ano.
Nesse quadro, os juros do Selic (taxa usada nas operações diárias do Banco Central com o mercado financeiro) cairiam para 21,5% ao ano em 1999. Para este ano, a previsão é que os juros do Selic fechem em 28,4% ao ano. A inflação medida pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) da USP ficaria em 2% em 1999, segundo a Andima. Para este ano, a expectativa da instituição é de deflação de 0,6%.
As contas públicas teriam uma sensível melhora, apesar do cenário recessivo. De acordo com a Andima, o déficit público primário - exclui o pagamento de juros - seria zerado até o final deste ano e se transformaria em superávit primário de 2,1% do PIB, superando até mesmo a expectativa do governo de superávit de 1% do PIB para 1999.
Incluindo o pagamento de juros nessa conta, o déficit nominal cairia de 7,6% do PIB, previsto para 98, para um déficit de 5,5% no próximo ano. Mesmo assim, o total da dívida pública continuaria se alastrando: passaria de 39,5% do PIB, este ano, para 43,7% do PIB em 1999. O cenário da Andima é consolidado a partir da média aritmética dos cálculos de 15 analistas de instituições financeiras brasileiras e estrangeiras filiadas à Andima.
Os rumos da política cambial do governo para 1999 foram um elemento de discórdia entre esses 15 analistas. Na média aritmética, a Andima prevê uma desvalorização de 10,4% do real ante o dólar em 1999.
Segundo o diretor de Política Monetária da Andima, Reinaldo Rios, a maioria dos analistas da entidade é da opinião de que o governo deva continuar desvalorizando o real num ritmo entre 7% e 8% ao ano. Outra parcela menor, porém representativa, desses analistas defende uma aceleração da desvalorização do real pelo governo. ‘‘Algo entre 10 e 12% ao ano’’, disse Rios. O objetivo seria apressar a recuperação da economia no cenário recessivo previsto para o próximo ano.
Uma parcela menor, segundo ele, defende a maxidesvalorização abrupta do real. Essa desvalorização seria entre 10% e 15% frente ao dólar norte-americano. Para esses analistas, seria a única saída rápida para baixar os juros e acelerar o crescimento da economia. A desvantagem imediata dessa desvalorização seria a depreciação de todo o patrimônio de empresas e do governo brasileiro, em relação aos padrões internacionais. ‘‘Além do risco de desencadear uma crise de credibilidade, como a que aconteceu no México e depois nos países asiáticos’’, disse Rios.

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