Expansão da soja e do milho incomoda governo norte-americano. Estudo divulgado ontem mostra desempenho brasileiro no setor e expressa preocupação com área a ser cultivada
Genebra - A carga de subsídios com que o governo norte-americano protege seus agricultores cria distorções no mercado internacional mas não é suficiente para neutralizar a expansão da soja brasileira. Um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgado ontem expressa a preocupação com o Brasil.
Segundo o estudo, o potencial da agricultura brasileira ameaça os projetos de expansão comercial dos Estados Unidos. O documento, publicado pelo Usda ‘‘alerta’’ que a competitividade da soja e do milho brasileiros deve comprometer o crescimento das exportações dos Estados Unidos nos próximos dez anos, o que justificaria a necessidade de Washington de continuar subsidiando a produção local para não perder mercado.
Segundo o documento, as exportações de soja do Brasil na última década aumentaram quase 100% e poderão continuar crescendo em média 4% por ano até 2010, quatro vezes mais que a média mundial. Enquanto isso, as exportações brasileiras de óleo de soja também devem dobrar em dez anos, segundo as estimativas de Washington.
Já no caso do milho, o estudo indica que a produção cresceu 40% no Brasil na década de 90 e que o perfil do comércio no País sofreu uma mudança ‘‘dramática’’. ‘‘O País passou de uma condição em que importava 1 milhão de toneladas por ano, no início da década de 90, para uma condição de exportador de 3,7 milhões de toneladas em 2001’’, diz o documento. O Departamento de Agricultura ainda menciona a evolução no cultivo de algodão e de arroz, principalmente no Centro-Oeste.
De acordo com o documento, o motivo para a expansão da produção no Brasil nos próximos anos é a disponibilidade de terras que ainda podem ser cultivadas, especialmente no Centro-Oeste. Os Estados Unidos estimam que ainda existam 547 milhões de hectares de terras intocadas no País que poderão ser aproveitados na agricultura. O cálculo aponta o Brasil como o detentor da maior área virgem no planeta.
‘‘Nesse ritmo, como a produção norte-americana poderá se manter competitiva?’’, questiona o relatório, visivelmente alarmado pela produtividade brasileira.
Segundo os norte-americanos, o aumento de produção no Brasil – e também na Argentina – influenciará as exportações norte-americanas, os preços dos produtos, a renda dos produtores e, em especial, o volume de subsídios dados por Washington aos fazendeiros. - Washington argumenta ainda que o aumento de produção de soja no Brasil explica a queda nos preços internacionais de commodities nos últimos três anos, o que tem afetado a renda dos produtores norte-americanos.

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