Se fosse permitido o cultivo de soja transgênica no Brasil, o mesmo teria uma relação benefício/custo menor do que a soja tradicional produzida atualmente no País. A conclusão faz parte de estudo do engenheiro agrônomo Ralf Karly, que apontou relação de benefício/custo no País de 1,98 na soja tradicional e de 1,74 na geneticamente modificada e que haveria diferença de 15% nos custos em dez anos.
Nos Estados Unidos, essa relação é de 1,61 na convencional e de 1,63 na transgênica. Segundo o professor orientador do estudo, o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Balcewicz, alguns produtores optam pela soja transgênica porque acreditam que ela teria custo menor, mas a partir do momento que ela fosse liberada no Brasil, isso mudaria. ‘‘Atualmente, os preços se colocam de uma forma. Mas quando há grande procura de bem ou serviço, inevitavelmente o preço aumenta’’, afirmou. Segundo ele, em 10 anos o custo de produção da soja transgênica subiria de US$ 272 para US$ 283,4 por hectare, e a tradicional cairia, de US$ 266,5 para US$ 256.
Para Balcewicz, além de ter custo maior de produção, os agricultores teriam perda de mercados compradores. ‘‘Com certeza perderíamos o consumo da União Européia, que busca produtos não modificados. Então não adianta plantar, se não vai haver consumo’’, avaliou. Para ele, os casos de soja transgênica no Paraná são raros e não vão comprometer a produção. ‘‘Está ocorrendo alarde de que há disseminação de soja transgênica, mas isso é má-fé. Por trás disso há o interesse de grupos econômicos, que estão tentando mostrar que os transgênicos já são comuns e poderiam ser liberados’’, completou.
O agrônomo disse que não é contra a idéia de modificar alimentos. ‘‘Mas no momento não podemos deixar que a falta de informação prejudique a economia brasileira. Temos excelente produtividade e baixo custo de produção. Para que jogar isso fora se não temos certeza das consequências?’’, observou. (R.F.)

mockup