São Paulo - Uma queda na cotação do dólar de R$ 3,20 para R$ 2,80 não deve causar muito estrago nas contas externas em 2003. Mas, no que vem, a apreciação do real pode levar a uma perda de US$ 9 bilhões no superávit comercial brasileiro. Essa é a conclusão de um estudo de Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Unibanco. ''Neste ano, uma apreciação dessa magnitude não vai fazer muita diferença - mas, no ano que vem, iria comprometer o ajuste externo'', diz Schwartsman.
No estudo, o economista levou em conta três cenários diferentes - dólar a R$ 2,80, R$ 3,04 ou R$ 3,20. Segundo o modelo desenhado por Schwartsman, a apreciação do real não deve afetar muito a balança comercial neste ano porque existe uma defasagem de três trimestres no efeito do câmbio sobre o comércio exterior. Portanto, a recente queda do dólar e consequente perda de competitividade das exportações só seria sentida no ano que vem. As importações, porém, já iriam refletir a valorização do câmbio, ainda que discretamente. Com um dólar a R$ 2,80, as importações seriam US$ 2,6 milhões superiores do que no cenário em que a moeda americana está cotada a R$ 3,20.
''Se a apreciação continuar, pode elevar o déficit em conta-corrente para US$ 13 bilhões no ano que vem'', diz Schwartsman. Em 2002, o déficit foi de US$ 7,75 bilhões.

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