Com o objetivo de recuperar o dinheiro investido em um consórcio ''falso'', o mestrando em física, Eduardo de Almeida, entrou com uma ação no Juizado de Pequenas Causas em Londrina contra a empresa que representava a administradora de consórcio Tedesco, de São Paulo. Em abril deste ano, ele resolveu comprar um apartamento através de um consórcio de imóveis. Almeida deu como entrada no negócio R$ 3,9 mil e ficou na espera para ser incluso em algum dos grupos de consórcio. ''Dois meses se passaram e eu não fui colocado em nenhum grupo. Então resolvi rescindir o contrato e pedir o dinheiro de volta'', contou o estudante.
Segundo Almeida, o responsável pela empresa alegava que a matriz da administradora não estava mais abrindo grupos de consórcio temporariamente. Depois de cancelar o contrato, segundo o estudante, a empresa estabeleceu algumas datas para devolver o dinheiro, mas não cumpriu com o combinado. Ele resolveu então registrar uma queixa na Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon).
Uma audiência de conciliação foi marcada pelo órgão, mas o responsável pela empresa não compareceu. ''Depois de não conseguir um acordo amigável, entrei com uma ação no juizado'', informou. A audiência está prevista para o começo de novembro.
A informação da assessoria jurídica da Tedesco é de que a empresa representante em Londrina foi desligada da administradora há mais de 30 dias. ''O responsável pela empresa efetuou vendas e não nos repassou o dinheiro, nem os contratos'', revelou Rosimery Santos, supervisora da assessoria. Segundo Rosimery, o responsável pela empresa estava em posse de diversos contratos que não foram devolvidos para a Tedesco. ''Começamos a receber diversas reclamações e fomos investigar. Descobrimos o golpe e tentamos um acordo amigável com o representante, mas não deu certo'', acrescentou.
Rosimery explicou que 25 contratos ficaram em posse do representante, mas a administradora não sabe afirmar quantas pessoas possam ter sido prejudicadas. Sobre o caso do estudante, a assessoria respondeu que, civilmente eles podem ser responsabilizados, mas criminalmente o problema recai para o responsável da representação. ''Nós também tivemos prejuízo, por isso entramos com uma ação de estelionato contra o responsável da empresa'', concluiu.
O coordenador do Procon de Londrina, Gerson da Silva, recomenda a quem deseja entrar em um grupo de consórcio, procurar se informar sobre a empresa que oferece o serviço. ''Cuidado com as vendas facilitadas e ofertas miraculosas'', alerta. Ele aconselha os consumidores que antes de fecharem qualquer contrato, principalmente de imóveis que é uma área relativamente nova informem-se no Procon sobre a idoneidade da empresa. As consultas também podem ser feitas através da internet no site do Banco Central do Brasil, www.bcb.gov.br, que tem registrado as administradoras autorizadas a realizar os serviços de consórcios.

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