O persistente cenário de turbulência internacional,
derivado principalmente das incertezas com a economia norte-americana e argentina, tende a manter a instabilidade nos mercados de ações, juros e dólar. A avaliação é do diretor da Área de Asset Management do BNL, Cláudio Lellis. Para ele, a principal questão continuará sendo a dúvida com o rumo da economia dos EUA, a velocidade da desaceleração e, com ela, a tendência dos juros por lá. ‘‘A resposta a essas dúvidas ainda vai levar algum tempo’’, diz. Um quadro que sugere a manutenção do estresse no mercado.
Nesse cenário, além da permanência de solavancos nos diversos mercados, ele considera improvável que a cotação do dólar venha abaixo de R$ 2,10 e o juro-ano, administrado pelo mercado, recue abaixo de 18,50%, pelo menos até o fim do primeiro semestre. Num ambiente desses, o investidor não tem por que inventar ou, menos ainda, tentar ganhar com a instabilidade, sob risco de amargar fortes perdas. ‘‘Quem não quiser correr riscos deverá escolher um bom fundo DI, cujo rendimento segue os juros correntes, tirando proveito das possíveis altas.’’ Os fundos de renda fixa, que carregam títulos com juros prefixados, não são indicados em períodos de instabilidade.
Instabilidade não combina também com a valorização das ações. Em tese, a idéia é correta. Mas a avaliação pode ser diferente se o olhar for lançado mais à frente. A bolsa caiu demais e quem quiser aproveitar os baixos preços das ações pode pegar carona numa alta, mais cedo que tarde, segundo o diretor do BNL. ‘‘A bolsa pode retomar a valorização antes mesmo da retomada de queda dos juros e da reacomodação do preço do dólar em níveis mais baixos.’’ Ele destaca, no entanto, que o investimento em bolsa deve ser feito sempre por meio de um fundo de ações, até para diluir riscos com a diversificação de ações em carteira.
A Argentina continua ainda como foco de perturbação, embora secundariamente, no momento. ‘‘A crise argentina é a que menos nos atinge, mas é a que mais nos aflige’, analisa, comentando que a crise está mal resolvida no parceiro do Mercosul. As dúvidas são múltiplas, mas tudo em relação à Argentina passa pela resposta à pergunta sobre o futuro da política cambial de conversibilidade.

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