Curitiba As cooperativas do Paraná estão revendo estratégias para a redução e estabilização no faturamento de 2005, em função dos prejuízos com a estiagem e do baixo desempenho na comercialização de grãos. A Cocamar, de Maringá, espera repetir o faturamento do ano passado, de R$ 1,2 bilhão. A Coamo, de Campo Mourão, trabalha com a expectativa de redução no faturamento obtido com as exportações de US$ 500 milhões, no ano passado, para US$ 350 milhões este ano.
A cooperativa Agrária Mista Entre Rios, de Guarapuava, também prevê queda no faturamento para este ano. O diretor financeiro, Celso Stock, não acredita que o faturamento do ano passado, de R$ 758 milhões, será repetido este ano. Esta semana, os dirigentes da cooperativa reviram para baixo o lucro operacional, que foi de R$ 73 milhões em 2004. Segundo Stock, deverá haver uma queda de 10% a 11%, e o lucro deverá cair para cerca de R$ 60 milhões.
O presidente da Coamo, José Aroldo Galassini, manifestou preocupação com o nível de endividamento dos cooperados, que na região de influência da cooperativa, atingiu cerca de 3 mil cooperados que devem aproximadamente R$ 100 milhões. Apesar da queda do faturamento e das dívidas, Galassini acredita que ainda haverá sobras para serem distribuidas aos cooperados no final da safra.
As cooperativas estão apostando firme na industrialização da produção para compensar prejuízos como os que ocorreram este ano, em função da estiagem e do baixo desempenho na comercialização de grãos. A Cocamar vem se destacando na venda de sucos de frutas, à base de soja, um mercado considerado promissor. Em 2003, investiu R$ 15 milhões na fábrica de sucos e está programando novos lançamentos ainda para este ano. A cooperativa industrializa cerca de 87% da produção recebida.
Na Coamo, cerca de 40% do faturamento vem das exportações de farelo e óleo de soja, fios de algodão, além dos produtos ''in natura'' como soja em grão, milho e trigo. O faturamento total da cooperativa atingiu R$ 4 bilhões no ano passado. Em Guarapuava, a cooperativa Agrária tem na fábrica de malte entre 55% a 60% do faturamento. O restante, vem da produção de grãos.
Para o superintendente da Cocamar, Celso Carlos dos Santos Júnior, a agregação de valor foi ''o pulo do gato'' da cooperativa para oferecer mais renda ao cooperado e enfrentar a competititvidade das grandes cooperativas. A cooperativa expandiu a industrialização como alternativa para uma grave crise financeira enfrentada com o Plano Real. De tudo o que a cooperativa recebe, só não é processado o milho e o trigo.
Além da industrialização, o diferencial da Cocamar foi a expansão do plantio de soja na região do Arenito, que abriga 400 mil hectares da área de influência da cooperativa. Em 150 mil hectares ocupados atualmente com o plantio de soja na região, a Cocamar conseguiu ampliar a produção em 10% todo o ano. Esse ano, a expansão não deve acontecer por causa da seca, disse o superintendente. (V.C.)

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