Mesmo sem estatísticas disponíveis, analistas especializados em mercado de consumo não hesitam em afirmar que ter uma segunda marca é uma tendência entre as indústrias de bens de consumo. ''É uma estratégia de ocupação de espaço'', diz o presidente do Conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), Claudio Felisoni.
Ele observa que essa tendência é crescente entre as companhias porque, com a redução dos custos para obter informações e comparar preços na hora de ir às compras, as margens de venda dos produtos estão se achatando. Por isso, as empresas não podem manter preços tão elevados em relação à concorrência e precisam ter uma segunda marca para ganhar volume nas vendas.
Atualmente, diz Felisoni, o custo de comparação é muito baixo e ''se resume a um clique'', fazendo alusão ao uso da internet na pesquisa de preços. De toda forma, a ascensão das classes D e E à classe C, a nova classe média brasileira, é o principal motivo alegado pelas companhias para ter uma marca mais popular e com preços em conta, sem arranhar a marca tradicional.
''Existe uma aceleração da tendência entre as companhias de bens de consumo em geral lançar uma segunda marca'', afirma o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. Além de atingir o consumidor da classe C, ele observa que a estratégia também está sendo usada pelas empresas para ''blindar'' o mercado da entrada de novos concorrentes.
Um dos efeitos positivos de ter uma segunda marca é aproveitar a capacidade da fábrica com uma nova linha de produção e otimizar algumas despesas, como a distribuição de produtos.
Para o sócio da consultoria Top Brands, Marcos Machado, não é possível uma empresa ser líder de um setor tendo apenas uma única marca. ''Com uma marca só não é possível atender ninguém direito. O consumidor está se diversificando.'' (M.D.C./AE)

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