As montadoras que se instalaram na Região Metropolitana de Curitiba e passaram a produzir carros no final de 1998 ou início de 99, começam a mandar de volta para seus países de origem os executivos e técnicos que ficaram alguns anos no Paraná. Eles estiveram comandando as fábricas e fazendo o trabalho de capacitação e aprendizado de funcionários brasileiros. O número de estrangeiros na Volkswagen/Audi vai cair de 75 para 43 até o final deste ano.
Os estrangeiros vieram para o Brasil com data marcada para retornar. A maioria conseguiu visto de permanência no País por um período de dois ou no máximo três anos. O Itamaraty costuma conceder visto de trabalho por curtos períodos, que não ultrapassam três anos. É possível em alguns casos prorrogar por mais dois.
Dos 32 executivos da Audi que retornarão para seus países de origem, a maioria para a Alemanha, pelo menos 20 serão substituídos automaticamente por brasileiros. ‘‘Há algumas posições chaves na empresa que se mantêm nas mãos dos estrangeiros, no caso, dos alemães’’, afirmou o supervisor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento da Volkswagen/Audi, Marco Aurélio de Castro.
Ele afirma que isso é um procedimento normal, pois trata-se de cargos de confiança que trabalham diretamente com a direção da montadora. No ano passado retornaram 15 executivos estrangeiros.
A Volkswagen/Audi, desde que foi inaugurada, elaborou seu ‘‘plano de sucessão’’, que norteou o treinamento e desenvolvimento dos funcionários recém-contratados, na época. Quando entrou em operação, no início de 99, a Audi estava com o maior número de estrangeiros. Ao todo eram 113. Parte deles fazia o treinamento. Do programa de sucessão resultou os casos de dois funcionários brasileiros da manufatura que foram os primeiros a serem promovidos a executivos.
O engenheiro mecânico Paulo Cunha, 33 anos, e o engenheiro de produção Marcos Vinícius de Abreu Resende substituíram dois alemães na área de Pintura. ‘‘Eu chefiava uma equipe de 30 pessoas, agora são quase 140. O maior desafio é preparar e manter todos na mesma sintonia numa fábrica que produz 420 carros por dia’’, afirma Cunha. Antes de ingressar na Audi, ele trabalhava na Brahma.
Resende, que trabalha na Volkswagen desde 1996 e foi transferido de Taubaté para São José dos Pinhais, diz que o convívio com os estrangeiros foi uma experiência profissional a mais. ‘‘Precisei aperfeiçoar meu inglês e aprender a lidar com posturas rígidas’’, conta.
As profissões que eram ocupadas por estrangeiros e passam para brasileiros vão desde técnicos em manutenção de pintura até gerentes financeiros e diretores de unidades. Alguns cargos estão sendo extintos, pois só foram criados durante o período de implantação da linha de produção e treinamento de pessoal.

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