Estrangeiros vêem Brasil com cautela
O ano de 1998 está acabando e os investidores na Bolsa de Valores de São Paulo já começam a debater o chamado efeito janeiro sobre o mercado. É em janeiro que a Bolsa de Valores de São Paulo poderia receber uma enxurrada de recursos externos dos fundos internacionais se as avaliações sobre o futuro do Brasil fossem otimistas. Mas, segundo especialistas, o investidor internacional está adotando uma posição cautelosa com relação ao Brasil.
Em janeiro, os administradores de fundos de investimento internacionais decidem para onde irão os seus recursos no ano que se inicia. Avaliam as diversas alternativas com base em suas estimativas para o ano. Estudam as perspectivas econômicas de países e seus mercados de juros, ações e futuros. Os fundos de investimento de mais longo prazo chegam a fazer avaliações para os próximos cinco ou dez anos, um verdadeiro exercício de futurologia nos mercados financeiros cada vez mais incertos.
Com relação ao Brasil, as preocupações dos investidores internacionais estão voltadas para a capacidade do País em cumprir as metas do ajuste fiscal estabelecidas com o Fundo Monetário Internacional. O governo se comprometeu a arrecadar mais do que gastará em 99.
O superávit deve chegar a 2,6% do Produto Interno Bruto. Para isso, será fundamental a aprovação rápida da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira, o imposto sobre cheques, com alíquota de 0,38%, contra a de 0,20% atual. Esse imposto representará arrecadação de US$ 1,3 bilhão por mês para o governo federal. Cada atraso de um mês significa perda equivalente de arrecadação. Os investidores ficarão de olho na votação da CPMF no Congresso. A primeira votação está prevista para o dia 8 de janeiro. Mas o processo de aprovação da emenda geralmente é demorado, diz Rodrigo Moraes, do Banco Rendimento. A nova CPMF entra em vigor três meses após aprovada.





