Arquivo FolhaÀ vendaDe 52 mil km da malha federal, 28 mil deverão sair ‘das mãos’ do governoO ‘‘péssimo’’ estado de conservação no qual se encontra 51% dos 52 mil quilômetros de rodovias federais brasileiras provoca perdas econômicas da ordem de R$ 2,5 bilhões por ano. A informação é do presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias, José Alberto Pereira Ribeiro. Apenas por conta de atrasos no escoamento da safra de grãos, perde-se anualmente algo em torno de 15 milhões de toneladas, ou 20% da produção, segundo Ribeiro.
Ele participou ontem no Rio de reunião com 22 empresários norte-americanos da área de construção de rodovias e de equipamentos rodoviários. O objetivo da missão é conhecer os projetos de privatização de estradas no País. Durante o encontro, Ribeiro defendeu que seja aprovada a emenda constitucional - que deverá ser votada no Congresso até o fim do ano - que cria o Fundo Nacional de Transportes.
O dinheiro deste fundo seria utilizado na conservação e ampliação dos 34 mil quilômetros de rodovias que ficarão sob a administração do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), depois da concessão de todos os trechos programados pelo governo. De acordo com o empresário, essas rodovias ficarão sem ter recursos para a manutenção.
Ribeiro explicou, em conversa com jornalistas, que dos 52 mil quilômetros de estradas que formam a malha federal, cerca de 28 mil deverão sair das mãos do governo federal - 15 mil quilômetros em concessões e outros 13 mil irão passar à responsabilidade dos governos estaduais. De acordo com o empresário, o fundo para os transportes deveria dispor de cerca de R$ 3 bilhões, que poderiam ser arrecadados com impostos específicos.
O executivo contou que apenas no Paraná - onde já foram privatizados 2.035 quilômetros de estradas - serão investidos US$ 2,3 bilhões, em seis anos. ‘‘Foi o que o estado investiu em 15 anos’’, disse. Segundo ele, a restauração de uma estrada custa em média R$ 110 mil por quilômetro, enquanto a reconstrução fica em média R$ 400 mil. ‘‘Pelo menos 20% da nossa malha terá de ser reconstruída’’, afirmou. O Brasil é classificado pelo governo dos Estados Unidos como um dos dez maiores mercados emergentes na área de rodovias.

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