Estradas precárias causam prejuízo de R$ 2,5 bi ao ano
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaÀ vendaDe 52 mil km da malha federal, 28 mil deverão sair das mãos do governoO péssimo estado de conservação no qual se encontra 51% dos 52 mil quilômetros de rodovias federais brasileiras provoca perdas econômicas da ordem de R$ 2,5 bilhões por ano. A informação é do presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias, José Alberto Pereira Ribeiro. Apenas por conta de atrasos no escoamento da safra de grãos, perde-se anualmente algo em torno de 15 milhões de toneladas, ou 20% da produção, segundo Ribeiro.
Ele participou ontem no Rio de reunião com 22 empresários norte-americanos da área de construção de rodovias e de equipamentos rodoviários. O objetivo da missão é conhecer os projetos de privatização de estradas no País. Durante o encontro, Ribeiro defendeu que seja aprovada a emenda constitucional - que deverá ser votada no Congresso até o fim do ano - que cria o Fundo Nacional de Transportes.
O dinheiro deste fundo seria utilizado na conservação e ampliação dos 34 mil quilômetros de rodovias que ficarão sob a administração do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), depois da concessão de todos os trechos programados pelo governo. De acordo com o empresário, essas rodovias ficarão sem ter recursos para a manutenção.
Ribeiro explicou, em conversa com jornalistas, que dos 52 mil quilômetros de estradas que formam a malha federal, cerca de 28 mil deverão sair das mãos do governo federal - 15 mil quilômetros em concessões e outros 13 mil irão passar à responsabilidade dos governos estaduais. De acordo com o empresário, o fundo para os transportes deveria dispor de cerca de R$ 3 bilhões, que poderiam ser arrecadados com impostos específicos.
O executivo contou que apenas no Paraná - onde já foram privatizados 2.035 quilômetros de estradas - serão investidos US$ 2,3 bilhões, em seis anos. Foi o que o estado investiu em 15 anos, disse. Segundo ele, a restauração de uma estrada custa em média R$ 110 mil por quilômetro, enquanto a reconstrução fica em média R$ 400 mil. Pelo menos 20% da nossa malha terá de ser reconstruída, afirmou. O Brasil é classificado pelo governo dos Estados Unidos como um dos dez maiores mercados emergentes na área de rodovias.


