Assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasu) e diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja-MS), Lucas Galvão explica que, além da infraestrutura portuária, há muitos desafios a serem superados para viabilizar a exportação dos grãos pelos portos do Oceano Pacífico.
"Precisamos resolver a questão da capacidade de carga. Nossas carretas graneleiras carregam até 37 toneladas líquidas. Já, no Chile e na Bolívia, o limite são 25 toneladas", ressalta. Outro grave problema são as condições das estradas. Na Bolívia, um trecho de serra de aproximadamente 300 km, entre Santa Cruz de La Sierra e Cochabamba, está muito ruim. No Chile, também há trechos complicados para cruzar o deserto.
Galvão destaca ainda o preço do combustível na Bolívia, que é diferente para bolivianos e estrangeiros. Por lá, os produtores de Mato Grosso do Sul pagaram em média R$ 3,30 pelo litro do combustível, que custa R$ 1,30 para os cidadãos do país. No Brasil, a média é de R$ 2,35.
Apesar das dificuldades, de acordo com o diretor, não se deve descartar nenhuma alternativa quando se trata de escoar commodities agrícolas. Ele destaca que a produção de grãos de Mato Grosso do Sul cresce cerca de 12% ao ano. Na última safra, chegou perto de 14 milhões de toneladas. "Toda a produtividade da porteira para dentro é perdida pela ineficiência logística do Brasil. Não podemos descartar os portos do Pacífico", declara. (N.B.)

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