A situação das contas públicas se agravou ainda mais em junho, quando a União, Estados, municípios e estatais gastaram R$ 8,6 bilhões além do que arrecadaram. Esse déficit nominal mensal (receitas menos despesas, inclusive os gastos com o financiamento da dívida) foi o segundo pior registrado até agora, superado somente pelo de dezembro passado (R$ 13,7 bilhões) e ficou bem acima dos R$ 5,7 bilhões contabilizados em maio último.
Com isso, o déficit nominal acumulado de janeiro a junho já alcançou R$ 32,5 bilhões, o equivalente a 7,27% do Produto Interno Bruto (PIB), superior aos 6,46% do PIB somados até maio e quase o dobro dos 3,85% do PIB (R$ 16,3 bilhões) computados nos seis primeiros meses de 1997, a preços corrigidos pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna. Excluindo o peso dos juros da dívida sobre as contas públicas, o resultado também foi ruim. Nos seis primeiros meses de 1998, o setor público inteiro gerou um superávit primário (desconsidera os gastos com juros) de R$ 544 milhões, apenas 10% daquele obtido em igual período de 1997.
Ao divulgar esses dados ontem, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Francisco Lopes, admitiu ‘‘uma piora inequívoca’’ do déficit nominal e previu que ele poderá ser ainda maior nos próximos meses.

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