O número de imóveis comerciais fechados aguardando locação em Londrina supera as duas mil unidades, bem acima da média estável do mercado, que saltou dos 800 espaços desde o ano de 2014. O número vem crescendo no período, embora alguns empresários do setor ouvidos pela reportagem já estejam registrando sinais de recuperação.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil), Marco Antonio Bacarin, afirmou que estão na lista das ofertas "alguns locais que tradicionalmente jamais ficaram desocupados". Segundo Bacarin, a maioria dos imóveis com médios e altos valores, a partir dos R$ 5 mil, pertence a investidores, que preferem manter os espaços fechados, esperando a reação do mercado, e evitam a renegociação dos preços para conseguir nova locação. "Além disso, geralmente os contratos comerciais têm duração de cinco anos, ou seja, se o proprietário reduzir demais o preço, vai ter que esperar mais para fazer a revisão do valor", completou o presidente do Sincil.
Ponto tradicional em Londrina, o Free Shopping, na esquina da Rua Goiás com Avenida Higienópolis, está totalmente desocupado. Um dos empresários que atuaram no espaço por sete anos até transferir a empresa para outro endereço contou à FOLHA que os administradores do shopping optaram por não reduzir valores de aluguel pois estariam planejando construir um novo empreendimento no local. Com a debandada dos demais locatários, ele também acabou optando por deixar o ponto. A reportagem não conseguiu contato com os proprietários do centro comercial.
Outros pontos bem localizados na área central de Londrina também chamam a atenção pelo tempo prolongado em que seguem fechados, à espera de um inquilino, como o da Avenida Juscelino Kubitschek, entre as Ruas Mato Grosso e Souza Naves, onde já funcionaram uma petiscaria e uma costelaria, e o que fica na esquina da Rua São Paulo com Alameda Miguel Blasi.
Bacarin afirmou que "no caso da locação comercial, o valor do aluguel pesa bastante na atividade do empresário, a análise é sempre mais fria, então, se der prejuízo, ele vai procurar reduzir o custo em outro imóvel."

Recuperação
O imobiliarista Raul Fulgêncio, integrante da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), e o vice-presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-Regional Norte), Nestor Correia, relataram sinais de recuperação no mercado de locação comercial.
Para Fulgêncio, houve aumento no número de locações, na proporção em que caíram as vendas. "É claro que não está uma maravilha, todos sentimos os efeitos dessa crise, mas percebemos que muitas pessoas que perderam o emprego decidiram utilizar o acerto da empresa para procurar um imóvel comercial e iniciar o seu próprio negócio", disse o empresário, que tem forte atuação na área da Gleba Palhano, zona sul de Londrina. Nestes casos, segundo Fulgêncio, são valores de locação em torno de R$ 4 mil a R$ 6 mil.
De acordo com Correia, "muitas lojas estão fechadas, mas também outras abriram, vejo que existe uma recuperação e daqui a cinco ou seis meses nesse ritmo teremos uma situação bem melhor". Também empresário do setor imobiliário, ele disse que "em 20 dias, alugamos mais imóveis do que em todo o mês passado, hoje o telefone toca mais, percebe-se a diferença".

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