O presidente da Conab, Eugênio Stefanelo, classificou ontem de ‘‘baixíssimo’’ o nível dos estoques reguladores do governo. São os mais baixos dos últimos 20 anos, informou. Resultam de quebra das safras 96/97 e 97/98, e da grande distribuição de cestas básicas às famílias carentes. ‘‘Os estoques de feijão, trigo, farinha e fécula de mandioca estão absolutamente zerados, temos 50 mil toneladas de arroz, 60 mil de algodão e 1,8 milhão de milho’’, disse. Stefanelo, apresentou em Curitiba, o terceiro levantamento de safra feito pelo governo, que será divulgado oficialmente hoje. A safra de grãos 97/98 colhida pelos brasileiros deve ficar entre 83 e 84,5 milhões de t, quebrando o recorde de 81,2 milhões de t obtido na safra de 94/95 e superando em 10,38% o desempenho alcançado no ano passado.
Apesar do baixo estoque, o governo vai manter os leilões em bolsa para conter a alta nos preços até o início da colheita ao mesmo tempo que descarta a importação para formar estoques. A estratégia para a manutenção dos preços mínimos prevê a venda de 10 mil t de algodão por semana e de todo o estoque de arroz até o final do mês. ‘‘Em março vamos suspender os leilões para evitar a queda de preço’’, disse.
Milho O milho vai continuar a ser vendido: 80 t por semana para o Norte e Nordeste, e 100 a 150 mil t por semana para as demais regiões. Em março as vendas de milho serão apenas no Norte e Nordeste sendo suspensas nas demais regiões.
Segundo Stefanelo, há dinheiro para AGF que será usado para garantir o preço mínimo. ‘‘É possível que novas aquisições de feijão aconteçam a partir de maio, aproveitando o crescimento na produção nacional.’’
Câmbio - Para Stefanelo, os produtores devem aproveitar o momento de desvalorização do Real, quando conseguem maior espaço para a comercialização, para se preparar para o compra de insumos para a safra 99/2000, já que estes produtos estarão mais caros. ‘‘Esta desvalorização em torno de 40% deve refletir em um aumento de 10% a 20% no faturamento do produtor’’, disse.
Entretanto, como o câmbio também deve pressionar os insumos agrícolas para cima - responsáveis por 20 a 25% dos custos de produção - os agricultores devem se reunir em cooperativas e associações para a compra desses produtos.
Paraná - O Paraná também vai realizar uma colheita de grãos recordista de produção, com 17,9 milhões de t colhidas este ano, contra 17 milhões de t colhidas na safra passada, principalmente em razão de condições climáticas favoráveis.
Mesmo com este bom desempenho, o levantamento da Conab aponta que na primeira colheita de feijão houve uma quebra de 70 mil t na produção, causada por excesso de chuvas na colheita. Com isso a produção de feijão prevista inicialmente para 450 mil t acabou ficando em 380 mil t.

mockup