A superoferta de frangos que está ocorrendo no mercado já preocupa as indústrias e distribuidores. Desde maio, as empresas estão repassando o produto com descontos para evitar o aumento dos estoques mas os supermercados não estão repassando esse benefício ao consumidor. A afirmação é do diretor executivo da Associação dos Avicultores do Paraná (Avipar), Ícaro Fiechter. A superoferta de frangos está ocorrendo em função da queda de 20% no volume das exportações brasileiras para os países da Ásia, no primeiro trimestre de 1998.
Fiechter ressalva que as grandes redes de supermercados fazem o repasse e as vezes até ‘‘exageram’’ no desconto, que utilizam como chamariz para venda de outros produtos. ‘‘Já nos supermercados das periferias das cidades, onde poderia ser estimulado o aumento do consumo de frango, via preço, isso não está ocorrendo porque os descontos não estão chegando aos consumidores’’, constatou.
Na avaliação do técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Guilherme Oscar Richter, a indústria de aves está vivendo um dilema. Além da redução das exportações aos países da Ásia, que resultou numa perda de receita de 25%, a concorrência no mercado externo com outros países exportadores está acirrada. Os Estados Unidos e a França estão pressionando o aumento da oferta mundial de frangos e, enquanto isso, no mercado interno a produção nacional esse ano deverá ter um crescimento de 6% a 7%, após um crescimento de 10% registrado no ano passado.
Para Richter tudo indica que a recessão na Ásia vai continuar, o que poderá ampliar a redução nas exportações. No ano passado foram vendidas 650.000 toneladas de carne de frango, o que movimentou uma receita de US$ 875 milhões. Se a queda nas exportações verificada no primeiro trimestre de 98 for concretizada no decorrer do ano, a situação de superoferta no mercado vai se agravar no segundo semestre, prevê o técnico.
Essa situação já provocou reflexos negativos na zona produtora. Desde abril, quando o preço médio do frango pago ao produtor no Paraná, atingiu o melhor preço de R$ 0,72 o kg, a queda nas cotações é de 10%. Ontem, o preço médio pago ao produtor no Estado era de R$ 0,65 o kg. Para Fiechter a redução dos preços ao produtor também preocupa as indústrias, porque se o produtor assumir os prejuízos o setor estará inviabilizado em pouco tempo. Por isso, algumas indústrias já elevaram o preço pago para R$ 0,70 o kg do frango vivo.
Ocorre que para as indústrias pagarem esse preço e arcarem com custos de transporte e de industrialização, o custo de produção sobe para R$ 0,95 o kg, praticamente o mesmo que as indústrias e distribuidores estão oferecendo ao setor varejista. ‘‘Mas essas cotações são irreais e estão provocando prejuízos às indústrias’’, avaliou Fichter. Segundo ele, elas não têm condições de suportar margens negativas por muito tempo, porque já trabalham com baixa rentabilidade. ‘‘A solução é buscar uma parceria com os supermercados e elevar o consumo’’.

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