Estivadores suspendem greve até terça
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Agência Folha 
GUARUJÁ E CUBATÃO - Os estivadores do porto de Santos, em assembléia ontem à noite, decidiram suspender, até a zero hora de terça-feira, a greve iniciada na última terça-feira. A volta ao trabalho nos demais portos do País deverá ocorrer hoje pela manhã. Os sindicatos iriam realizar assembléias e seguir a determinação da Federação Nacional da Estiva para pôr fim à greve. O diretor da federação Orlandino Custódio, da regional de Brasília, disse que os sindicatos de todos os Estados estavam sendo avisados para suspender a greve. A federação está orientando todos os sindicatos para suspender a greve, afirmou Custódio.
Os estivadores de Santos aceitaram proposta da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista) para que retomassem o trabalho às 20 horas. A Cosipa se comprometeu a requisitar mão-de-obra dos avulsos para operar os dois próximos navios. A negociação será retomada na terça-feira. O acordo foi feito a partir de um contato direto do presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Joaquim Quincas da Silva, e o presidente da Cosipa, Marcus Tambasco, enquanto acontecia reunião de negociação no Guarujá entre representantes da empresa e do sindicato. Em Cubatão, os trabalhadores aplaudiram o discurso do presidente do sindicato e soltaram rojões, comemorando o fim da greve. A proposta foi aprovada por unanimidade.
O trabalho será reiniciado imediatamente aqui na Cosipa. Na terça-feira, vamos examinar a situação, para ver que atitude tomar, afirmou Silva. Segundo nota oficial divulgada pela Cosipa, enquanto houver negociação, na próxima semana, os navios atracados no terminal privativo da empresa serão operados de forma alternada, um por mão-de-obra própria da siderúrgica e outro por portuários avulsos.
Foi dado um passo extremamente importante e irreversível para a implantação da lei de modernização dos portos, disse o presidente da Cosipa, Marcus Jurandir de Araújo Tambasco. Na terça-feira, representantes sindicais irão em caravana a Brasília para pressionar o Congresso a votar projeto do deputado Vicente Cascione (PTB-SP) que prevê a transformação do terminais privativos de Santos em portos públicos.
A greve nacional iniciada ontem, que deveria ser de 48 horas, obteve adesão parcial, mas paralisou alguns dos principais portos brasileiros. Avaliação preliminar da Federação Nacional dos Estivadores ontem indicava paralisação total em Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Rio Grande (RS), segundo informou o diretor-tesoureiro da entidade, Liones Mendes.
Em Paranaguá, houve manifestação por duas horas, das 7h às 9h, mas não houve paralisação. Em Itajaí (SC), a paralisação foi de duas horas pela manhã e outras duas à tarde. Em Vitória (ES), foi realizada ontem operação-padrão e o trabalho se processou mais lentamente. O porto de Recife (PE) funcionou normalmente. A paralisação nacional dos estivadores foi deflagrada em apoio aos estivadores de Santos, em greve desde a última terça-feira.


