Estivadores não descartam novo conflito
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
Os estivadores do Porto de Paranaguá não descartam a ocorrência de novos conflitos como aconteceu na última sexta-feira, quando o terminal da Fospar, de propriedade da Cargill, foi invadido e algumas instalações foram incendiadas. Nos últimos três dias o terminal de adubos ficou parado e os navios não puderam descarregar, informou Helio Alves dos Santos, secretário do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá.
Durante todo o dia de ontem, a Cargill não procurou o sindicato para negociar o retorno das operações para descarga dos navios. Segundo Santos, havia três navios à espera para descarregar adubo no terminal da Fospar. O gerente de Navegação da Cargill, Ricardo Barbosa, disse que a empresa está levantando os prejuízos. Ele calcula que os prejuízos podem alcançar US$ 60 mil. É que o porto ficou parado por 12 horas, sendo que o corredor de exportação parou por duas horas. No final de semana ficaram de seis a sete navios parados. Só de estadia, cada navio custa US$ 6 mil, acrescentou.
O resultado final dos prejuízos e a posição que a Cargil pretende adotar frente ao conflito da última semana será divulgado hoje pelo diretor da empresa, José Luiz Glaser, que está em São Paulo. A empresa antecipou que considerou o conflito extremamente grave, inclusive porque um funcionário foi detido como refém e as instalações internas do terminal da Fospar bastante depredadas.
A Superintendência do Porto de Paranaguá informou por meio de sua assessoria de imprensa que não chegou a levantar prejuízos no terminal porque a paralisação no corredor de exportação foi mínima. Além disso, o porto não tem como intervir num conflito entre uma empresa privada e o sindicato dos estivadores.
De acordo com o dirigente do sindicato dos estivadores, não há como a Cargil retomar as operações sem passar por um acordo com os trabalhadores. Pelo menos 2 mil estivadores e outros 1,5 mil trabalhadores do porto vinculados a outros sindicatos estão vigiando o local. Se por acaso a Cargil tentar operar o terminal com funcionários próprios, vamos decidir na hora o que vamos fazer. Mas certamente haverá novos conflitos, adiantou o dirigente.
O protesto foi uma represália à atitude da Cargill que, de acordo com o sindicato dos estivadores, não teria cumprido um acordo que previa a utilização de mão-de-obra dos trabalhadores da estiva. O contrato previa que a Cargil contratasse duas equipes de cinco homens por turno para descarregar os navios da Fospar e a empresa reduziu a contratação para dois homens por equipe. O restante do trabalho seria feito por uma equipe de 20 funcionários da empresa que não são vinculados a sindicatos. (Colaborou Maigue Gueths, de Curitiba)


