Estivadores ameaçam
com operação padrão
Carmem Murara
Os estivadores que trabalham no Porto de Paranaguá ameaçam iniciar a partir de hoje uma operação tartaruga no carregamento de contêineres para exportação. O trabalho mais lento que o normal seria uma forma de reforçar a manifestação nacional iniciada anteontem nos principais portos brasileiros. Os sindicalistas protestam contra a retirada do Sindicato dos Portuários na indicação dos trabalhadores responsáveis pela movimentação de cargas.
A manifestação dos estivadores foi organizada pela Federação Nacional dos Portuários em São Paulo e Bahia após uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Salvador. O TRT transferiu do sindicato para o Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) o direito de escalar trabalhadores. Os sindicalistas temem que a sentença da Justiça baiana possa ser seguida nos demais Estados.
Segundo a Federação Nacional dos Portuários, a operação padrão atinge 42 portos brasileiros, envolvendo 45 mil trabalhadores. Em Paranaguá, os portuários preferiram não aderir ao primeiro dia de mobilização. Mas ontem, o diretor do Sindicato dos Estivadores, Hélio Alves dos Santos, disse que o movimento em solidariedade aos portuários da Bahia começaria hoje.
O Porto de Paranaguá tem um grupo de 2,5 mil, que trabalha na estiva, e quase 3 mil que fazem os demais serviços portuários. A não-adesão imediata ao protesto ocorreu porque o terminal portuário está embarcando produtos a granel e não em contêineres, o que dificulta o retardamento no trabalho. ‘‘É difícil fazer uma operação tartaruga no embarque a granel’’, afirmou Santos. Ele disse que o embarque dos navios de carga geral poderá ser feito em ritmo mais lento.
A assessoria do Porto informou que há 12 navios atracados e 34 ao largo. Do total que está recebendo carga, há quatro de fertilizantes, dois de soja em grão, quatro de farelo de soja e dois de ‘‘full container’’ (açúcar).

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