São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que foi ''bem-sucedida'' a política anticíclica adotada pelo governo para tirar o País da recessão, causada pela crise mundial. Ele afirmou que todos os estímulos e isenções fiscais concedidos pelo governo a alguns setores produtivos, entre eles as indústrias automobilísticas e fabricantes de produtos da linha branca, devem somar este ano um montante entre R$ 34 bilhões e R$ 35 bilhões.
Segundo ele, esse número equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Mantega participa da 4 Edição do Congresso Brasileiro dos Meios Eletrônicos de Pagamento, no Centro Fecomércio de Eventos, em São Paulo. ''O emprego destes recursos foi positivo para a economia. Sem a aplicação deles, para estimular o consumo e a produção, o País, nos meus cálculos, registraria queda de 3 pontos porcentuais no PIB. Ou seja, se o PIB exibir uma expansão de 1% este ano, sem a política anticíclica que adotamos, cairia 2% a 2,5%'', disse o ministro.
Mantega ressaltou que, em função das ações de combate à recessão implementadas pelo governo, o País apresenta resultados que não são registrados em nações desenvolvidas. Ele citou a criação de 494 mil empregos formais nos últimos dois meses e o desempenho das vendas de automóveis, que está mais forte do que o apurado no ano passado. O ministro afirmou que espera a criação de 1 milhão de postos de trabalho este ano.
IPI
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o Ministério da Fazenda ainda estuda se haverá ou não a prorrogação da redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca. Segundo ele, haverá uma definição até o final do mês, quando terminaria o prazo do benefício.
O ministro, no entanto, recomendou que, quem tiver dinheiro, que compre agora. ''O presidente tem dito que quer que as donas de casa comprem máquina de lavar para não lavarem roupa na mão e comprem fogão para os maridos fazerem o almoço de domingo com um fogão mais novo'', disse o ministro.
Paulo Bernardo evitou comentar sobre a devolução das restituições do Imposto de Renda que estariam sendo represadas por dificuldades na arrecadação de receitas. Ele disse que esse é um assunto do Ministério da Fazenda, mas lembrou que este ano o governo tem uma situação mais apertada do ponto de vista fiscal, com redução das receitas.
Ele destacou, no entanto, que, apesar disso, o governo aumentou o auxílio a Estados e municípios e manteve os programas sociais e os investimentos. ''Vamos conseguir fechar as contas. Com aperto, mas vai dar certo'', afirmou Paulo Bernardo, lembrando que o governo foi obrigado a reduzir a meta do superavit primário.

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