A Camex (Câmara de Comércio Exterior) espera que a balança comercial não registre déficit em 99, dentro da estratégia do governo de reduzir a dependência do País em relação ao capital externo. Ontem, depois de seis meses de atraso, o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou o Programa Especial de Exportação.
‘‘O objetivo é reduzir o déficit comercial’’, afirmou o secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), José Roberto Mendonça de Barros, referindo-se à estratégia de diminuição dessa dependência. ‘‘Se possível, acabar com o déficit no ano que vem’’. Segundo Mendonça de Barros, o governo não definiu meta exata para o resultado da balança comercial de 99. ‘‘Quando se está no meio da confusão, não se faz projeção’’ , afirmou.
Para este ano, o mesmo Mendonça de Barros previa déficit de cerca de US$ 4 bilhões - a metade do registrado em 97. Nos 12 meses terminados em agosto, entretanto, o resultado negativo chega a US$ 6,8 bilhões. O déficit acumulado no ano é de US$ 3,028 bilhões. Para este ano, a previsão do próprio titular da Camex é que as exportações aumentem apenas 6%, quando a expectativa anterior era de crescimento de 11%.
Apesar desses fatos e das incertezas sobre o comportamento da balança comercial nos próximos anos, o governo ainda mantém a meta de atingir o volume de US$ 100 bilhões em exportações em 2002 - o último ano do eventual segundo mandato de FHC.
‘‘Essa meta é mobilizadora, difícil, porém viável’’ , afirmou. Para ele, há quatro argumentos para reforçar a meta: 1) A participação do Brasil no comércio mundial é pequena, de cerca de 0,8% do total de exportações; 2) As exportações brasileiras são diversificadas; 3) Os principais setores produtivos já iniciaram seus processos de reestruturação; 4) Mesmo com o crescimento da economia mundial restrito em 99, há possibilidade de iniciativas dos países mais desenvolvidos no sentido de não permitir o agravamento da crise.
Medida que dará resultados apenas em médio e longo prazos, o Programa Especial de Exportações beneficiará 58 setores produtivos, incluídos por causa do potencial de aumento de embarques e de competitividade no mercado interno. A idéia é facilitar o contato entre cada um dos setores produtivos com as áreas governamentais que podem colaborar com a ampliação de mercado, com a redução de custos de produção e com o aumento da produtividade.
O anúncio do programa veio acompanhado por duas outras medidas. Uma delas é a aprovação do seguro de crédito de exportação em dólares, que poderá dar maior garantia aos exportadores. A outra é a criação do Simplex, um sistema simplificado para os embarques que somem até US$ 10 mil, ou seja, para estimular os pequenos empresários a exportar.
De acordo com duas circulares divulgadas ontem pelo Banco Central, esses pequenos exportadores poderão utilizar um boleto simplificado e não precisarão apresentar a documentação da operação ao BC. Esses embarques poderão ainda ser pagos com cartão de crédito.
O BC também autorizou os produtores brasileiros a atender encomendas feitas do exterior e remetê-las por meio do correio. Até agora, essa prática era permitida apenas no caso da importação.

mockup