Após novo aumento, a estimativa de março da safra de grãos para 2015 ficou em 199,7 milhões de toneladas, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado ontem pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é 3,6% maior do que o total de R$ 192,8 milhões de toneladas do ano passado e 0,1%, ou 139,2 mil toneladas acima da previsão feita em fevereiro.
Com 18,5% do total, o Paraná deve ser responsável pela segunda maior parcela do País, atrás dos 23,6% do Mato Grosso. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), a previsão é que a produção do Estado fique em 37,2 milhões de toneladas, dos quais 16,7 milhões de toneladas de soja e 4,7 milhões de toneladas de milho.
A área plantada no País deve ficar em 57,3 milhões de hectares em 2015, 1,7% a mais do que os 56,3 milhões de hectares do ano passado. A projeção também aumentou ante fevereiro, com o acréscimo de 121,4 mil hectares, ou 0,2%.
Arroz, milho e soja, os três principais produtos da safra, somam 91,6% da estimativa da produção e respondem por 85,5% da área a ser colhida. A área de soja cresce 4,3% em relação a 2014, enquanto a de arroz diminui 3,2% e a de milho recua 0,4%. Quanto à produção, é esperado um aumento de 0,9% para o arroz e de 9,7% para a soja, mas deve haver diminuição de 3,7% para o milho.
Economista do Deral, Marcelo Garrido afirma que, mesmo com a seca que prejudicou um pouco a produção de soja no Norte Pioneiro do Paraná, a produtividade das lavouras surpreendeu e deve ser recorde. "Podemos dizer que a safra de soja fechará quase em 17 milhões de toneladas porque a colheita atual está perto do fim, mas não podemos bater o martelo sobre a do ano porque alguma coisa ainda pode ocorrer no inverno", diz. Ele afirma que mais de 85% da área plantada no Estado é destinada à soja. Na segunda safra, a maior parte é para o milho e o trigo domina a cultura de inverno.
Para a economista Tânia Moreira, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a falta de chuvas e o calor excessivo do início do ano prejudicaram um pouco o plantio no Estado. Por isso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou levemente para baixo a expectativa de produção de soja, de 17,2 milhões de toneladas para 16,9 milhões de toneladas. Mesmo assim, a safra deve ser recorde.
Para o produtor, Tânia explica que houve queda nos preços da soja devido ao tamanho da safra. "Tivemos safras recordes nos Estados Unidos e teremos no Brasil e na Argentina, com a produção dos EUA já comercializada. Por isso, a projeção de preços não é elevada em relação às safras anteriores, mas a alta do dólar amenizou", conta. Porém, as recentes baixas na cotação da moeda norte-americana acalmaram os negócios no Brasil.

Outras culturas


Problemas climáticos provocaram redução nas estimativas de colheita de algodão, arroz e café na passagem de fevereiro para março, segundo o LSPA. No caso do algodão e do café, o obstáculo é a estiagem, enquanto os produtores de arroz enfrentaram atrasos por causa do excesso de chuvas na Região Sul.
Por outro lado, as intenções de plantio de trigo seguem aumentando. Em março, a produção estimada foi de 7,712 milhões de toneladas, 2,6% acima do previsto em fevereiro. Se confirmado, o montante será 24,9% maior do que em 2014. (Com Agência Estado)

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