Brasília - A eficácia da ajuda dada pelo governo federal aos agricultores neste ano poderá ser dimensionada na quinta-feira, quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulga sua primeira estimativa de plantio para a safra 2006/07.
  Para fazer o levantamento da safra, cerca de 250 técnicos da estatal percorreram as principais regiões produtoras do País entre os dias 18 e 22 de setembro. Nas últimas semanas, o Ministério da Agricultura fez questão de reafirmar que fez o possível para ajudar os produtores combalidos por dois anos consecutivos de crise no campo. O ministro Luís Carlos Guedes Pinto enfatizou que os pacotes de prorrogação de dívidas do governo Lula somam R$ 20 bilhões e outros R$ 2 bilhões foram destinados às políticas de apoio à comercialização de grãos só em 2006.
  O Banco do Brasil prorrogou R$ 5 bilhões em dívidas e pretende, até o fim do mês, renegociar mais R$ 1 bilhão. O montante direcionado para mecanismos de apoio à comercialização, que têm como objetivo evitar quedas acentuadas de preços, disse, é o maior em 20 anos. Guedes Pinto tem evitado fazer previsões para a safra.
  Outro que evitou arriscar palpite para a safra foi o vice-presidente de Agronegócios do BB, Ricardo Conceição. Segundo ele, o governo tirou os produtores ‘‘do sufoco’’ e ‘‘acabou com o fantasma que eles viam pela frente’’ - o vencimento de débitos. ‘‘O setor vai iniciar a retomada do crescimento a partir do ano que vem. Não acredito em queda na área plantada.’’
  Além das renegociações, ele enumerou a redução de 20,3% nos custos médios de produção para a safra 2006/07 e os indicadores de melhores preços internacionais da soja e do algodão em 2007 como fatores que impedirão uma forte queda na área plantada. Os custos, disse, diminuíram com a redução dos fretes internacionais e com a valorização do real frente ao dólar.
  Para o superintende técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, a crise não acabou. ‘‘Empurramos para 2007 as questões de endividamento.’’ Ele estimou que a área plantada com algodão crescerá 15%. Para a soja, ele prevê queda de 20% na área plantada em Mato Grosso, resultado da descapitalização do setor, da expectativa de aumento nos estoques mundiais da oleaginosas e da previsão de grande safra nos EUA.

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